CAJON DE SASTRE

8 jun

 

A Hora da Estrela, Clarice Lispector

 

Admiro muitos escritores brasileiros, aliais, admiro escritores, ponto. E Clarice pelo seu legado é admirável, mas depois que fiz um curso onde conheci o teor de algumas de suas cartas, me encantei. Clarice Lispector foi uma mulher diferente e não só de seu tempo, mas também como pessoa, como escritora. Se fosse falar de sua obra seria repetir o que muitos críticos literários dizem, mas como estudante de Letras e como leitora assídua, posso dizer que depois que li um livro seu, percebi que sua linguagem é forte, tocante. A sua literatura é reflexiva. E “A Hora da Estrela” não podia ser diferente. O livro conta a história de uma nordestina que vai tentar a sorte no Rio de Janeiro, Macabéa. As desventuras de Macabéa são contadas por um escritor chamado Rodrigo.  Mas essa história não é como toda história de nordestino numa capital, Macabéa é diferente, a forma como ela é descrita na história é diferente. Existe uma certa poesia em tudo. O livro possui duas temáticas: é uma obra sobre a vida de uma retirante na cidade grande, mas também uma reflexão sobre o papel do escritor na sociedade moderna. É talvez o seu romance mais famoso, sendo adaptado para o cinema por Suzana Amaral em 1985.

Não vou entrar muito no enredo do livro porque perde a graça, mas posso dizer que te faz pensar a leitura, algo bom. Vi uma entrevista de Clarice Lispector para TV Cultura, comentando sobre o livro em sua única entrevista televisionada, concedida em fevereiro de 1977 ao reporter Júlio Lerner para a TV Cultura, de São Paulo. Na entrevista, ela menciona que acabara de completar um livro com “treze nomes, treze títulos”, embora ela tenha se recusado a citá-los. Ela diz, que o livro é “a história de uma moça, tão pobre que só comia cachorro quente. Mas a história não é isso, é sobre uma inocência pisada, de uma miséria anônima.” Na mesma entrevista, Clarice diz que usou como referência para Macabéa a sua própria infância no nordeste brasileiro, além de uma visita a um aterro onde nordestinos se reuniam em São Cristóvão. Ela diz ter sido neste aterro que ela capturou “o ar meio perdido” do nordestino na cidade do Rio de Janeiro.Outra inspiração para a trama do livro foi uma visita que Clarice fez a uma cartomante. Na época, ela imaginou como “seria engraçado” se na saída, ela fosse atropelada por um táxi depois de ouvir todas coisas boas que a cartomante previra. O livro foi publicado em 26 de outubro de 1977, pouco antes da autora ingressar ao hospital do INPS da Lagoa, no Rio de Janeiro. Ela morre em 10 de dezembro de 1977.

Recomendo o livro e quero dizer que tem muita gente que usa as frases de Clarice Lispector sem nunca ter lido suas obras e acaba não sabendo do que se trata. Não que isso seja crime, mas o contexto do que ela escreveu é muito importante para uma melhor compreensão de suas obras e até mesmo da escritora.

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