Com a Pena e Tinteiro

5 jul

Corcel

O frio rachante quebra a harmonia dos meus pensamentos ao bater em meu rosto.
Vejo o dia amanhecendo pelo pára-brisa, sinto nostalgia que dentro do peito me corrói.
Vou indo por essa estrada que no final eu nunca sei onde vai dar. O céu está coberto de nuvens, que às vezes formam imagens engraçadas. É possível ri da própria solidão? Mas sempre há a companhia do meu carro.

Eu estou acostumado a partir não tenho pouso certo, estou em todo lugar ou em lugar nenhum. Ouço o blue’s de Billy Holliday e passo a crer que sou eterno como essas montanhas, mas não tão rígido quanto elas. A viagem é longa e pela primeira vez me sinto cansado de viver assim, o que há comigo?

Certa vez uma mulher me falou que dentro de minha carcaça não havia coração e eu nunca saberia o que era amar; hoje percebo que ela estava certa, não posso me prender a nada, tudo morre ao meu redor. As coisas me tocam, mas não permanecem.
Há momentos guardados no fundo da minha memória, porém estão tão distante que não tem porque buscá-los.

Existe uma nova cidade a minha espera, tudo vai recomeçar, um vazio toma conta de mim.
Porque essa agonia não passa?

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