ESTILO DE VIDA NERD

6 jul

Os invisíveis de Grant Morrison

(ou quem é o King Mob?)

The Invisibles é uma série de histórias em quadrinhos publicada sob o selo Vertigo da DC Comics, de 1994 a 2000. Foi criada pelo autor escocês Grant Morrison e desenhada por vários artistas.

Os Invisíveis pode ser considerada uma das obras de história em quadrinhos mais importantes dos anos 90 e considerada por seu autor, Grant Morrison, como “semi auto-biográfica”.

Os Invisíveis relata a história de uma “célula” integrante de um grupo anarquista e terrorista que tem como objetivo libertar a humanidade do domínio de seres transdimensionais, os Arcontes, que influenciam o destino da humanidade através de agentes plantados por eles em nossa realidade, que somente aguardam o momento certo de rasgarem as paredes da realidade humana e dominarem nosso universo. A concepção principal é de universos paralelos e das relações que estes podem estabelecer.

  • King Mob (literalmente, “Rei Multidão”), o líder (num primeiro momento), especialista em artes marciais e no uso de poderes psíquicos. Possui uma série de contatos, desde espíritos vodun, milionários que foram abduzidos, magos e demais entidades. É o alter-ego do Autor, Grant Morrison;
  • Lord Fanny, um travesti do Rio de Janeiro, descendente de mexicanos, com poderes xamãnicos e uma aparência “glamourosa”. Sua ação no grupo é enquanto feiticeira, realizando encantamentos. Seu ritual de iniciação é descrito simultaneamente no passado, no presente e no futuro;
  • Ragged Robin, uma mulher que afirma ter oito anos de idade, mas que aparenta muito mais. Joga tarot constantemente e possui um alto nível de desenvolvimento de poderes psíquicos (principalmente premonitórios);
  • Jack Frost, codinome de Dane McGowan, um estudante inglês que abandona a escola após atear fogo na biblioteca utilizando um coquetel molotov. Rouba carros e comete outros delitos com seus colegas. É preso, e enviado para a “Casa da Harmonia” (um lar de recuperação de jovens problemáticos que utiliza métodos muito pouco ortodoxos), de onde é resgatado por King Mob e convidado a entrar para o grupo. Passa a ser acompanhado por Tom O´Bledam, um mago e mendigo que realiza a iniciação de Dane em Jack Frost.

As referências realizadas na obra são as mais diversas. Destacam-se: Teoria do Caos, Mitologia Asteca, sociedades secretas, metafísica, literatura medieval, viagem no tempo, cultura pop, literatura e várias outras. Por exemplo, no segundo “arco de história”, Arcádia, os Invisíveis fazem uma viagem no tempo atá a França da Revolução, visando resgatar o Marquês de Sade para que ele os ajude a planejar o futuro da humanidade.

Teoria da conspiração, magia, viagens no tempo, meditação e violência pesada são alguns dos assuntos constantes da história. O experimentalismo em Os Invisíveis é regra, e a complexidade da trama era tanta que as vendas da série nos primeiros 10 números foram baixíssimas, situação surpreendentemente contornada por Morrison que ao final de uma das edições da revista publicou um símbolo com um texto abaixo, dizendo para que todos os fãs dele e da série se masturbassem num determinado dia e horário olhando para o símbolo, feito que magicamente melhoraria as vendas. Curiosamente, elas aumentaram de fato e a série não foi cancelada. Entre outras declarações relativas a Os Invisíveis, o autor disse numa conferência em 1999 que tudo o que estava escrito na série lhe tinha sido dito por alienígenas que o teriam abduzido em Kathmandu e pedido que espalhasse tais informações ao mundo através dos quadrinhos. Polêmicas à parte, o mérito da série reside na utilização das mais diversas referências, trabalhando com Beatles, Marquês de Sade, a família real da Inglaterra, psicodelia, a Revolução Francesa, telecinesia, vudu, mitologia asteca e diversos outros elementos culturais, todos interagindo de maneira natural. Em 1999, os últimos 12 números de Os Invisíveis foram publicados em contagem regressiva do 12 ao 1, para marcar a chegada do ano 2000.

A série continua em um ritmo vertiginoso, até que ocupou a posição de principal revista do selo Vertigo da época, superando até Preacher, de Garth Ennis.

O álbum alcançou ainda mais polêmica quando seu autor acusou Matrix, mais precisamente os irmãos Wachowski, de plagiarem a sua obra. O processo acabou encerrado pelo fato de a obra ser publicada pela DC Comics, que pertence à Warner, produtora de Matrix.

Os Invisíveis inserem-se em um conjunto de obras de Grant Morrison. Suas idéias e seus escritos obtiveram expressão em quadrinhos e em livros que não possuem tradução para o português. Mesmo Os invisíveis não receberam tradução integral para o português, permancendo incompleta o primeiro arco de histórias, sendo que o segundo e terceiro somente são encontrados em inglês.

Obras essenciais de Grant Morrison:

Homem-Animal – Tem grande importância em sua carreira, pois foi seu passaporte para o sucesso nos Estados Unidos, justamente durante a época da Invasão Britânica de escritores como Neil Gaiman (com Sandman) e Alan Moore (que inaugurou a dita Invasãocom seu trabalho em Monstro do Pântano). É um trabalho diferenciado por ser protagonizado por um personagem que até então era ignorado pela editora, transformando-o em grande sucesso e lidando com temas como vegetarianismo, ecologia, drogas e outros assuntos, tudo isso utilizando-se da metalinguagem. O Evangelho do Coiote, história publicada no número 5 do título da revista, marcou uma geração de leitores por sua criatividade e complexidade.

Asilo Arkham – Que conta com Batman e o Coringa como personagens principais. Tendo o auxílio de Dave McKean (o ilustre capista de Sandman) nos desenhos,Asilo Arkham fez muito sucesso e tornou-se uma história clássica de Batman, com abordagens sombrias dos personagens (há quem diga que uma das idéias originais de Morrison era que o Coringa aparecesse travestido de mulher durante a história, o que não teria sido feito por preferência da editora).

Liga da Justiça – Em sua colaboração (do número 1 ao 41), reinventou a equipe com êxito, fazendo com que o título voltasse a ser um dos carros-chefes da editora.

New X-Men – Em sua contribuição, Morrison alterou drasticamente a situação dos personagens: os que não matou, alterou bastante. Suas mudanças, porém, não eram contraditórias às premissas originais dos personagens, e é aí que reside a genialidade de sua participação (apesar de essa colocação ser motivo para sérias e longas discussões entre fãs e leitores). Seria injusto, porém, dizer que a ousadia é o grande destaque da fase Morrison dos X-Men. Trata-se de uma história bem construída e amarrada, explorando diferentes aspectos da atmosfera dos mutantes – além de ter sido em grande parte desenhada por Frank Quitely, cujo traço entra em harmonia com os roteiros. Quando saiu do título, a editora Marvel anulou suas mudanças, fazendo com que os personagens e as situações voltassem a ser as mesmas de antes. Sob os roteiros de Joss Whedon, a revista Astonishing X-Menentão foi lançada, dando uma sutil e paralela continuidade aos feitos de Grant.

LJA: Terra 2 – Nno qual a Liga da Justiça vai para uma terra paralela em que encontra uma Liga com os valores e ideais exatamente opostos ao seus, num planeta em que o egoísmo e a maldade sempre prevalecem.

Sete Soldados da Vitória – Que inaugura o conceito de Megassérie nos quadrinhos, foi lançado em 2005 pela DC Comics. São sete histórias de diferentes protagonistas que se paralelizam das maneiras mais inesperadas e podem ser lidos de diversas ordens, convergindo para um final em comum. Ao todo são 30 revistas, todas escritas por Morrison com extremo zelo e sem contradições internas. Sete Soldados da Vitória é uma obra tão densa de simbologias que existem fóruns na internet apenas para discussões a seu respeito, em busca de uma leitura mais rica e entendida das metáforas utilizadas pelo autor. Não obstante, é mais uma demonstração da paixão de Morrison por procurar personagens do limbo da editora e revigorar com fidelidade à sua essência, chamando a atenção do público para eles (dessa vez, entre outros estavam Klarion, o Guardião de Manhattan e Frankenstein).

Crise Final – Continuação para duas das séries mais importantes da DC Comics em termos de concepção de cronologia: Crise Nas Infinitas Terras (1985) e Crise Infinita (2005). A Crise Final, totalmente concebida e escrita por Grant Morrison, dialoga não só com as idéias de Marv Wolfman e Geoff Johns, mas principalmente com a obra de Jack Kirby, importantíssimo autor dos quadrinhos que muito o influenciou. A promessa de Dan DiDio, editor da DC, é que depois dessa Crise o universo de personagens sob sua tutela jamais será o mesmo. É mais do que comum que os editores digam isso para seus especiais venderem mais, mas de um trabalho regido por Morrison nunca se duvida.

Batman R.I.P., Batman & Robin, O Retorno de Bruce Wayne, Batman Inc.

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