Ponto e Reticências

27 jul

A ANGÚSTIA DE SER ADOLESCENTE

E aí galera Nativa, estou iniciando aqui no blog com um post na minha área que é psicologia, trazendo um texto que eu escrevi para a faculdade (resumido para postagem), talvez por conta disso ainda esteja bastante formal apesar dos arranjos que eu fiz para publicá-lo aqui…hehehe.

Mas mesmo assim aí vai:

Atualmente falamos muito da adolescência como um período de crise, as tentativas de esclarecer este fenômeno trazem consigo uma infinidade de questões, atuais e complexas, que envolvem diretamente os jovens da nossa sociedade. É comum vermos a adolescência ser relacionada ao uso de drogas, sexo, educação, problemas de imposição de limites, violência, delinqüência, etc. Mas afinal! O que significa adolescência? É possível alcançar um consenso a respeito desse conceito? Podemos pensar a adolescência hoje como pensávamos tempos atrás?

Geralmente o fenômeno da adolescência é caracterizado como um processo de mudança que marca a passagem da infância para a fase adulta, mas sabemos que nem sempre foi assim, em outras sociedades antigas não existia a mesma idéia de adolescência que temos hoje, basta fazer uma pesquisa sobre os antigos ritos de passagem para comprovar isto.

O que ocorre atualmente é que verificamos uma verdadeira indefinição sobre o conceito de adolescência, várias posições são encontradas, autores que não privilegiam a idade como marca rígida para determinar esse período, consideram a adolescência não uma fase natural do crescimento humano, mas sim um processo cultural, um fenômeno moderno surgido a partir do início do século XX.

     Sérgio Ozella, doutor em Psicologia Social e estudioso das questões da adolescência, afirma que:

A adolescência é criada historicamente pelo homem, enquanto representação e enquanto fato social e psicológico. É constituída como significado na cultura, na linguagem que permeia as relações sociais. Fatos sociais surgem nas relações e os homens atribuem significados a esses fatos. Definem, criam conceitos que representam esses fatos. São marcas corporais, são necessidades que surgem, são novas formas de vida decorrentes de condições econômicas, são condições fisiológicas, são descobertas científicas, são instrumentos que trazem novas habilidades e capacidades para o homem. Quando definimos a adolescência como isto ou aquilo, estamos constituindo significações (interpretando a realidade), a partir de realidades sociais e de marcas que serão referências para a constituição dos sujeitos. (OZELLA, 2002)

Levando em conta o cenário em que vivemos, o jovem de nossa sociedade sendo sensível aos acontecimentos, percebe como ninguém, as crises em que todos nós estamos inseridos; sejam elas de valores, educacional, ética, moral, econômica, política, etc. Dentre outras coisas, vivencia uma violência cotidiana muitas vezes banalizada, o individualismo e consumismo exacerbado, a problemática das drogas, o stress de cada dia e o desemprego.

É fácil perceber o quanto o assunto adolescência está na moda, é só prestar atenção em como os meios de comunicação estão enfocando o adolescente. Fala-se muito das mudanças corporais vividas nessa fase, nos conflitos e nas descobertas que essa fase gera, fala-se muito em adolescente rebelde, em adolescente agressivo, em todo tipo de adolescente! No entanto, fala-se muito pouco de um sentimento que marca muito a vida de alguns jovens e tem um papel essencial nessa fase: a angústia.

Mas de que angústia é essa que eu estou falando? Bom, para entendê-la, é só a gente imaginar um adolescente normal. Ele entra em casa, liga a TV, muda de canal 5 vezes, desliga, põe um CD pra tocar, enjoa, põe outro, desliga o som, lava a louça, volta, abre a geladeira, come mesmo sem estar com fome… Aquelas transformações todas que começam a acontecer aos 11, 12 anos e nas quais vocês já estão cansados de ouvir falar, vão trazer esse sentimento que poderíamos descrever como uma insatisfação constante, um incômodo, uma “coisa ruim”, um aperto no peito, um sentimento que a gente não sabe dar nome. Pode ser maior para alguns e menor para outros, mas está sempre presente na adolescência, não que eu ache que a angústia faça parte somente da adolescência, vejo que para muitos ela perdura por muito tempo, principalmente por atualmente termos uma enorme dificuldade de amadurecer, vejo que esse sentimento perdura como uma incapacidade que temos de resolver muitas das angústias adolescentes. Acho que devido essa sociedade fugaz em que vivemos somos vítimas de uma insatisfação constante.

Na adolescência buscamos vencer a angústia de não estar satisfeito consigo mesmo de várias formas: mudamos a cor do cabelo, colocamos piercings, fazemos tatuagens, nos refugiamos muitas vezes em festas e até mesmo na bebida e nas drogas, só que a angústia desaparece por um tempo mais ela volta. O que falta é maturidade para enfrentar as frustrações.

Li um blog de uma adolescente em que ela relatava o seguinte: “85% das horas do dia de um jovem ele passa pensando, em outro mundo, achou alguma coincidência? isso mesmo, temos nosso próprio mundo, o mundo que criamos, pra fugir dos problemas, das angustias, pra ficar sozinho com elas, é o nosso mundo, também tenho o meu, todos têm, você fica atenta na frente da televisão, mas na realidade você não faz idéia do que está passando em volta, podia explodir uma bomba mas você não sairia do transe. as vezes sem querer e as vezes porque queremos de propósito fugir dali, e ir pro nosso mundo onde tudo acontece como você sonha, onde você é do jeito que sonha ser, onde você tem tudo o que deseja ter, onde todos te adoram, onde aquele cara te dá bola, onde a garota de seus sonhos é sua namorada, onde você faz o que quer, não é exatamente assim? não é coincidência, é isso mesmo, isso acontece com muitos jovens, isso significa dizer, parabéns! você não é maluco como imaginava ou parabéns você não é o único neurótico do mundo, você é jovem! é normal! é humano.” (Nathalia Torres – Gosto de Ler)

Um modelo de adolescente é passado pelos meios de comunicação, e quando o jovem não esta dentro do padrão estabelecido ou não consegue atingi-lo, surge aquele sentimento angustiante, frustrante, um sentir-se deslocado, por fora, um “não ser” de quem não sabe nem bem o que é.

E aí o que fazer? Como lhe dar com essa angústia? Será que podemos superá-la? No próximo post vou tentar trazer algumas idéias e saídas para esses questionamentos, por hoje é só, então, até mais ver…

Por Neyla Moreira

REFERÊNCIA:

OZELLA, Sergio (2002). Adolescência: uma perspectiva crítica.

Gosto de Ler – http://www.gostodeler.com.br/materia/11552/angustias.html

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