Meu Walkman – Legião Urbana

19 set

Essa segunda maravilhosa vou falar de uma banda que mesmo depois de anos tem milhões de fãs que sabem suas músicas de cor e salteadas. De quem estou falando? Legião Urbana!!! Descobri Legião sozinha, mais pela voz do Renato Russo. Todo mundo diz que a banda era mais a poesia e voz dele do que os acordes dos músicos. Mas não quero desfazer de  Marcelo Bonfá e  Dado Villa-Lobos que são grandes músicos.

Comecei ouvindo Será, e depois me apaixonei por todas músicas, mas confesso que hoje em dia não ouço Legião Urbana porque já ouvi muito e quando digo muito, é muito mesmo. Sei as músicas decoradas. E para não ficar chato, estou ouvindo agora a banda para escrever o artigo. Fiquei mal quando soube que Renato Russo morreu, e aqui em Fortaleza como amamos as bandas dos anos 80, têm muitos orfãos dele aqui. Acho até que seria bacana fazer um tributo aqui da banda com músicos originais e vários interpretes.

Adorei a música que foi gravada depois de sua morte, A Via Láctea, linda. Conheci alguém que se sentiu assim e fiquei com muito medo na época dele fazer besteira. Mas depois de toda tempestade vem a bonança e ele está bem hoje em dia. Comentei isso porque sempre achei que as letras de Renato Russo fazem sucesso por dizer o que realmente sentimos, são humanas e expressam exatamente nossos sentimentos em algum dado momento de nossa vida. Vou oferecer essa matéria a uma pessoa que é a maior fã que conheço da banda, uma grande amiga que tinha todas fitas e discos deles e copiava na agenda da escola as letras das músicas e cantava com todo coração suas canções.

História da Banda

A banda foi formada em agosto de 1982 poucos meses após o fim de sua antiga banda de Punk Rock o Aborto Eletrico, devido á divergências musicais de Renato Russo, que naquele momento estava se interessando mais pelo Post-Punk, e outras influências, do que somente pelo Punk Rock. Com o fim da banda, Fê Lemos e seu irmão, Flavio Lemos (contrabaixo), reúnem-se com Dinho Ouro Preto e formam o Capital Inicial. Para suas canções, o Legião Urbana se inspirava em bandas como Sex Pistols, The Beatles, The Ramones, The Smiths, The Cure, Talking Heads, e principalmente na banda inglesa de Post-Punk chamada Joy Division, dentre outras. Além do filósofo Jean-Jacques Rousseau (daí a inspiração para o nome artístico).

O começo

A primeira apresentação da Legião Urbana aconteceu em 5 de setembro de 1982 na cidade mineira de Patos de Minas, durante o festival Rock no Parque, que contou com outras oito atrações, entre elas a Plebe Rude. Esse foi o único concerto em que a banda apareceu com a sua primeira formação: Renato Russo (vocalista e baixista), Marcelo Bonfá (baterista), Paulo Paulista (tecladista) e Eduardo Paraná (guitarrista), hoje conhecido como Kadu Lambach.  Após a apresentação, Paulo Paulista e Eduardo Paraná deixaram a Legião. O próximo guitarrista seria Ico Ouro-Preto (irmão de Dinho Ouro-Preto, vocalista do Capital Inicial), mas foi logo substituído por Dado Villa-Lobos, que assumiu a guitarra da Legião em março de 1983.

O sucesso

Em 23 de julho de 1983, a Legião faz no Circo Voador, Rio de Janeiro, um concerto que mudaria a história da banda. Após a apresentação, eles são convidados a gravar uma fita demo com a EMI. No ano seguinte, por indicação de Marcelo Bonfá, entra o baixista Renato Rocha e começa então a gravação do primeiro disco. O primeiro álbum Legião Urbana, lançado em 2 de janeiro de 1985, é extremamente politizado, com letras que fazem críticas contundentes a diversos aspectos da sociedade brasileira. Paralelo a isso, possui canções de amor que foram marcantes na história da música brasileira, como “Será”, “Ainda é cedo” e “Por Enquanto”, esta última que é considerada como a melhor faixa de encerramento de um disco, segundo Arthur Dapieve, crítico e amigo de Renato Russo. “Geração Coca-Cola” é outra música famosa deste álbum.

O segundo álbum, Dois, foi lançado em 1986. O disco deveria ser duplo e se chamar Mitologia e Intuição, mas o projeto foi recusado pela gravadora, fazendo com que o disco saísse simples. A primeira música, “Daniel na Cova dos Leões” é iniciada com um pouco da canção “Será” envolto a ruídos de rádio e do hino da Internacional Socialista. É o segundo álbum mais vendido da banda, com mais de 1,2 milhão de cópias, e considerado por muitos o mais romântico. “Tempo Perdido” fez um grande sucesso e se tornou um dos clássicos da Legião. “Eduardo e Mônica”, “Índios” e “Quase Sem Querer” também fizeram muito sucesso.

Que País É Este 1978/1987 pode ser considerada a primeira coletânea feita pela banda de Brasília, embora todas as faixas tivessem sido regravadas e produzidas para este álbum em estúdio. A maioria destas músicas foram propositalmente gravadas em primeiro take (baixo, guitarra e bateria de uma só vez). Este material foi programado para entrar no antigo projeto Mitologia e Intuição, que foi abortado pela gravadora. Das nove canções do disco, apenas “Eu sei” (da carreira solo de Renato Russo), “Angra dos Reis” e “Mais do Mesmo” não eram do antigo Aborto Elétrico que na época foi uma das 1° bandas de Punk Rock do Brasil. Esta é a obra mais punk da Legião Urbana e contém em seu encarte uma breve história do grupo. Foi o último trabalho oficial com a participação do então baixista Renato Rocha. Seu título provisório era Mais do Mesmo. As maiores músicas deste álbum foram “Que País É Este”, “Faroeste Caboclo” e “Angra dos Reis”.

O álbum As Quatro Estações de 1989 é considerado por muitos o melhor e mais inspirado trabalho do grupo, inclusive pelo próprio Renato Russo, além de conter o maior número de hits: são onze canções, das quais pelo menos nove foram tocadas incessantemente nas rádios. É o álbum mais vendido da Legião, com mais de 1,7 milhão de cópias, é também considerado o disco mais “religioso”. O baixista Renato Rocha tocou com o trio nos três primeiros álbuns e chegou a gravar o baixo de algumas faixas desse álbum, mas deixou o grupo devido a desentendimentos com os outros membros. As linhas de baixo originalmente gravadas por Rocha foram regravadas por Dado e Renato, que se revezaram nos baixos e guitarras. Músicas legendárias como “Pais e Filhos” e “Monte Castelo” fizeram parte deste álbum.

Lançado em Novembro de 1991, V é o disco mais melancólico. Renato estava em um momento complicado de sua vida, com a descoberta de que era soropositivo um ano e meio antes, problemas no relacionamento com o namorado americano, Robert Scott Hickman, e alcoolismo. O álbum é recheado de canções atípicas para os “padrões” da banda. A atmosfera de “Metal Contra as Nuvens”, com seus mais de onze minutos de duração, é um dos destaques, assim como a densa “A Montanha Mágica”. A crítica social de “O Teatro dos Vampiros” e a melancólica “Vento no Litoral” foram as mais tocadas neste CD.

O álbum O Descobrimento do Brasil de 1993, época em que Renato Russo tinha iniciado o tratamento para livrar-se da dependência química e mostrava-se otimista quanto ao seu sucesso. Ainda assim, as letras oscilam entre tristeza e alegria, encontros e despedidas. É como se, para seguir em frente, fosse necessário deixar muitas coisas para trás, e não se pudesse fazer isso sem uma boa dose de nostalgia. Desta forma, Descobrimento é um álbum com fortes notas de esperança, mas permeado por tristeza e saudosismo. Ainda assim, é considerado por muitos o álbum mais “alegre” e delicado da Legião Urbana. Apesar de boas vendas, o CD não foi muito tocado nas rádios. As faixas de sucesso foram “Giz”, “Vinte e Nove” e “Perfeição”, música essa que foi na época uma pesada crítica ao Brasil.

Fim da banda

O último concerto da Legião Urbana aconteceu em 14 de janeiro de 1995, na casa de apresentações “Reggae Night” em Santos, litoral do estado de São Paulo. No mesmo ano, todos os discos de estúdio da banda até 1993 foram remasterizados no lendário estúdio britânico Abbey Road Studios, em Londres, famoso por vários discos dos Beatles; e lançados em uma lata, intitulada “Por Enquanto 1984-1995”. A lata também incluía um pequeno livro, com um texto escrito pelo antropólogo Hermano Vianna, irmão do músico Herbert Vianna.

A Tempestade ou O Livro dos Dias, lançado em 20 de setembro de 1996, foi o último da banda. Além disso, o álbum possui densas músicas, alternando o rock clássico de “Natália” e “Dezesseis”, ao lirismo de “L’Aventura”, “A Via Láctea”, “Leila”, “1º de Julho” e “O Livro dos Dias” e ao classicismo de “Longe do Meu Lado”. As letras, em geral, abordam temas como solidão, passado, amor, depressão, homossexualidade, AIDS, intolerância e injustiças, sendo um disco “melodramático” e de alma triste.

Algumas canções do disco sugerem uma despedida antecipada, como diz o trecho “e quando eu for embora, não, não chore por mim”, da canção “Música Ambiente”. As fotos do encarte foram tiradas próximas à época do lançamento, exceto a de Renato, que foi aproveitada da sessão de fotos do seu álbum solo Equilíbrio Distante de 1995, já que o cantor, um pouco debilitado, se recusou a fotografar para o disco. O álbum A Tempestade foi lançado inicialmente na época como um clássico livrinho com capa de papelão e anos depois relançado como álbum comum (caixa de plástico). A foto do guitarrista Dado é diferente entre as duas versões. Com exceção de “A Via Láctea”, as demais faixas do álbum possuem apenas a voz guia de Renato, que não quis gravar as vozes definitivas. Também não foram incluídas as frases “Urbana Legio Omnia Vincit” e “Ouça no Volume Máximo”, presentes nos discos do grupo. Em seu lugar, uma frase do escritor modernista brasileiro Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”. O fim oficial da banda aconteceu em 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte do mentor, líder e fundador da banda. Renato Russo faleceu 21 dias após o lançamento de A Tempestade, no dia 11 de Outubro de 1996.

Uma Outra Estação foi um álbum póstumo. A ideia original era de que A Tempestade fosse um álbum duplo. Como saiu simples, as sobras de estúdio foram compiladas nesse álbum de 1997. Canções como “Clarisse” ficaram de fora do álbum anterior por desejo do próprio Renato, que a considerava com uma temática muito pesada. A letra da canção “Sagrado Coração” consta no encarte porém não possui registro da voz de Renato. O álbum conta com participações especiais como Renato Rocha, baixista dos primeiros discos da Legião, e Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso. A banda então prossegue fazendo sucesso e vendendo muitos discos, e se seguem muitas entrevistas e reportagens com os ex-integrantes, Dado e Bonfá. Muitos começaram a ouvir as músicas da banda após a morte de Renato, aclamado por alguns até mesmo como um herói, embora sem nenhum feito heroico, mas perpetuado como um portador de uma visão crítica e realista.

Comunicado sobre a “volta” da Legião Urbana

Em 5 de Setembro de 2009, o site oficial da banda divulgou um comunicado, em nome da família Manfredini, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e da gravadora EMI, esclarecendo que a Legião Urbana não voltaria às suas atividades, ao contrário das informações que circulavam através de boatos, uma vez por respeito a Renato Russo que jamais seria substituído. Ainda no intuito de aniquilar falsas informações, deixa claro que Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos não pretendem formar uma nova banda juntos para evitarem comparações.

No entanto, como o assunto sobre “a volta” da banda andava em alta, tanto nos jornais de grande circulação, tabloides eletrônicos ou mesmo nos sites de discussão e relacionamento (principalmente por conta do show que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá realizaram no festival Porão do Rock, no dia 20 de setembro de 2009 em Brasília), o comunicado fez questão de reiterar que os integrantes não pretendiam retomar a banda, mas tão somente existiria uma “possibilidade” para que fosse realizada uma única turnê, com cantores convidados, contando ainda com uma banda de apoio, formada por músicos uruguaios. No entanto, até meados de 2011 nada se confirmou. O comunicado deixa registrado também o intuito do site oficial da banda, que é “estreitar os vínculos entre a obra da banda e seu público”, além de se tornar uma fonte de comunicação oficial.

Discografia

Ano    Álbum Tipo
1985  Legião Urbana
1986  Dois
1987  Que País É Este
1989  As Quatro Estações
1991  V
1992  Música para Acampamentos
1993  O Descobrimento do Brasil
1996  A Tempestade ou O Livro dos Dias
1997  Uma Outra Estação
1998  Mais do Mesmo
1999  Acústico MTV Legião Urbana
2001  Como É que Se Diz Eu Te Amo
2004 As Quatro Estações ao Vivo
2006   Uma Celebração
2009  Legião Urbana e Paralamas Juntos
2011   Perfil

Videos com algumas músicas que curto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: