Caixa Preta

1 out

Cena: Depois de um daqueles dias de trabalho extenuante, Roberto chega à casa sonhado com um banho e a adorável companhia de sua adorável namorada, eles falariam do dia um do outro (recomendo para os que tem parceiros fixos mesmo que os vejam todo dia perguntar como foi seu dia) bem, no sonho de Roberto eles jogariam papo fora, ele tomaria um banho e iria para os adorados braços de Morfeu, mesmo estranhando o numero de carros desconhecidos na porta da casa ele adentra, ao chegar na porta de seu destino Joana vem sorridente e feliz e lhe diz: – Que bom que você chegou, a mamãe já estava achando que você não viria para o aniversario dela ¬¬. Com os olhos esbugalhados ele olha ao redor sem acreditar na quantidade enorme de sobrinhos, netos, irmãos e avos que circulam pela casa. O sonho acabou ele pensa, desolado.

Episodio de hoje:

Datas Fatais¬¬

Bem meus queridos é fato que você jamais namora uma pessoa somente já que somos seres sociais o que implica em um circulo inteiro de família, amigos, inimigos e tudo mais que podemos acumular ao longo do tempo, as datas fatais, digo fatais porque eu especificamente tenho um defeito social quase imperdoável, não sou fã de eventos de família, casamentos, aniversários, enterros, colação de grau tudo pra mim parece um emaranhado cansativo de sorrisos falsos, bebedeiras inconvenientes e verdades dispensáveis, vamos aos fatos.

 

  1. Corrente do bem – Você ouve histórias mil sobre tios chatos, tias gordas e mal amadas, irmãos sem senso de justiça ai nas “datas fatais” todos se unem numa corrente do bem onde todos usam as roupas mais bonitas, os acessórios mais chamativos e falam uns pro outros como são ótimos com vidas maravilhosas e outros tantos papos de conveniência social e “verdadeira”.

 

  1. Comparações injustas – Já notou como nas “datas fatais” as famílias parecem dispostas a exibir os dotes da prole uns dos outros – Ah, o Augustinho é ótimo esta no terceiro ano de medicina, – Minha Ana se casou com um engenheiro estão pensando em ir pra Nova York esse fim de ano, – Meu Bruninho foi promovido a gerente da empresa esta ganhando tão bem graças a Deus, é uma guerra silenciosa entre formas de criação e sucesso pessoal, ganha quem tiver a prole mais bem colocada na “cadeia social”.

 

  1. Fofocas indesejadas – O nível de competição é rasteiro enquanto o Currículo do nosso futuro Dr. Augustinho é defendido de um lado nas rodas da intriga no mesmo local eles dizem – é um menino bom pena que tem problema com álcool né? Eu ouvi dizer que o marido da Aninha estava por ai andando com tudo que é vagabunda, diz uma das tias mal amadas, ai começa uma chuva de disse-me-disse intermináveis.

 

  1. Confusões anunciadas – Como previsto a essa altura alguém já bebeu demais (fato que todas as famílias e consequentemente todas as festas de família tem alguém que bebe demais) e sai em todas as rodas de intrigas espalhando o que ouviu na roda anterior, um dos que sofrem as “acusações familiares” saem em defesa e isso com certeza geram um debate caloroso que termina quando os irmãos eram crianças e um deles roubou a bicicleta do outro. ¬¬

 

  1. Ressaca indesejada – De fato, já se podia esperar alguém sai dessas “datas fatais” machucado, outros incomodados, outros felizes de já ter acabado, jurando que a participação nesses eventos os deixam mais próximos do céu e uns poucos tipo, as mães envolvidas, vão dizer – Ah, que bom ver meus bebes reunidos e felizes. ¬¬

 

Todo mundo que já esteve envolvido em um ou em vários desses eventos de família sabe que coisas assim acontecem, às vezes todas juntas, as vezes uma ou duas com menos ênfase, família é assim, um monte de gente que aprendeu a se tolerar ou fingir que se tolera (pelo menos até o álcool fazer efeito no primeiro ¬¬) porque afinal são uma família, agora imagina como é para quem NÂO é dessa família, não cresceu com essas pessoas, não aprimorou ano a ano o dom da tolerância com os que lhe são completamente estranhos e antes que algum amante do amor eterno venha discursar dizendo que amar alguém é aceitar suas raízes e num sei mais o que, quero que quem esta me lendo e com esse discurso na ponta da língua pare e lembre-se de uma dessas “datas fatais” passadas com a família de algum parceiro e me diga com sinceridade que se pudesse ter passado sem o evento e amor e união magnânimos não teria sido bem menos traumático?! ¬¬ Eu pessoalmente tenho um acordo com minha amada mãezinha o único evento que vou por ela e pelo bem do convívio familiar é natal ou ano novo, de resto só com negociação previa, isso porque falei só das famílias não falei da droga dos agregados como EX que chamam sua sogra e seu sogro de tia e tio ¬¬ mais disso falo outro dia.

Raquel Dias¬¬: Sociável na maioria dos dias menos em calorosas datas emocionantes e extremamente familiares, nem as da minha nem as dos outros.

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