Estilo de vida nerd – os heróis e a realidade

5 out

Capa da primeira aparição do "amigão da vizinhança"

Para o leitor dos velhos quadrinhos de heróis, o apelo de uma tentativa de “trazer à realidade” uma história super-heróica é imenso, mesmo que não seja exatamente uma novidade em termos de estratégia.

Que o diga o eterno Stan Lee, criador de personagens como o Incrível Hulk e a super equipe Quarteto Fantástico. Seu mais emblemático personagem foi o Homem-Aranha. Adolescente muito inteligente e sem traquejo social (vítima de bullying pelos óculos, pelas notas e pela timidez, algo frequente entre os leitores de quadrinhos), Peter Parker (notem a aliteração característica de Lee – Reed Richards, Bruce Banner etc.) teve um impacto tão grande que virou marco da realidade nos quadrinhos.

Além de ser, em sua identidade pública (Parker), uma vítima de tudo e de todos, ele também foi um dos primeiros personagens a pagar contas, atrasar o aluguel, ter a geladeira quebrada ou a energia cortada… Que leitor de quadrinhos passando por tais circunstâncias não se identificaria e passaria a idolatrar o personagem usando suas piadas e tabefes nos vilões como catarse? Sim, sou fã do personagem desde pequeno.

Saudades de poderes bem executados, como o vôo de Nathan Petrelli

Voltando à atualidade (com Homem Aranha foi uma novidade, mas o ano era 1963), tal estratégia ainda é muito bem utilizada hoje em dia. Há uns dois ou três anos a febre do momento era a série Heroes, que emprestava poderes de personagens clássicos dos quadrinhos em um contexto adulto e realista, envolvendo intrigas políticas, conspirações militares e missões heróicas baseadas em princípios e sofrimento.

Infelizmente o erro na dose e algumas inversões de papéis (a popularidade de um personagem e o apelo por audiência acabam determinando o rumo da história, nem sempre para melhor) levaram Heroes ao seu fim.

Uma das melhores experiências televisivas dos ultimos tempos…

Uma abordagem bem mais ousada, e barata (característica da BBC), foi Misfits. Ainda no ar, iniciando sua terceira temporada no início de novembro próximo, esta série coloca poderes misteriosos (sem qualquer sombra de explicação) em jovens delinqüentes que estão prestando serviços comunitários à justiça londrina.

Cada um com um poder bizarro, todos com segredos a guardar, eles estão longe se cumprir o papel de heróis… na verdade mal conseguem lidar com seus problemas do dia a dia. Menção especial merece o personagem Nathan, que com seu humor sexual e escatológico (ele consegue até misturar as duas características) rouba a cena, mas deixa a série nesta próxima temporada. Série escatologicamente engraçada (adoro sotaque britânico).

Versão policialesca de X-Men, mas com mais pé no chão (às vezes)

Uma abordagem mais policial da coisa é The Alphas. Com poderes mais amenos e biologicamente explicáveis, ou quase, a série mostra um grupo que, guiado por um psiquiatra que estuda manifestações sobre humanas começa a trabalhar para o governo combatendo outros alphas, portanto protegendo os normais dos mais que isso (qualquer semelhança com X-Men não é mera coincidência). O melhor personagem da série é o garoto autista que “lê” transmissões eletromagnéticas, Gary Bell. Série boa, mas sem grandes surpresas.

Outras opções com certeza podem ser encontradas, mas não sei se no nível destas. Voltando aos quadrinhos, falarei de abordagens realistas dentro dos mesmos, como as tentativas frustradas do Novo Universo, Heróis Renascem e o parcial sucesso do universo Ultimate Marvel (ainda não vou citar o reboot Novos 52 da DC por ser muito recente).

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3 Respostas to “Estilo de vida nerd – os heróis e a realidade”

  1. N(A)tiva 05/10/2011 às 20:45 #

    Conheço as três séries citadas e adoro Misfits!!!! 😀

  2. Raquel Dias (@Shiitaara) 05/10/2011 às 19:43 #

    um dos heróis clássicos que reúnem humanidade (por não ter super poderes) e heroísmo (por defender os oprimidos ) é o Batman, não me lembro se já teve um seriado sobre o cavalheiro das trevas mais seria bem interessante ver por exemplo os conflitos entre a vida de empresario multi milionário com os ideais que um protetor deve ter…

    • Aloisio Menescal 06/10/2011 às 20:39 #

      Olha, o Batman na DC (assim como o Rorschach, em Watchmen) realmente tem essa característica do detetive que pode com qualquer superpoderoso na base da inteligência. Mas infelizmente a série dele dos anos 60 e os filmes anteriores a Tim Burton pouco exploraram essa contradição. Recomendo Guerra ao Crime, desenhado por Alex Ross e escrito por Paul Dini (http://www.universohq.com/quadrinhos/2004/review_batman_guerra_crime.cfm), que tenta abordar esses aspectos… Eu tenho :^P

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