Na Cozinha do (N)Ativa

7 out
Hoje vamos estrear uma nova coluna no (N)Ativa, a coluna de entrevista. O perfil dos entrevistados será de pessoas simples como qualquer uma, mas que correram atrás de seus sonhos e estão realizando algo dentro do que acreditam. Escolhemos o nome Na Cozinha do (N)Ativa porque é mais no teor de conversa, bate papo mesmo entre amigos. E claro, cearences. O (N)Ativa escolheu um parceiro nosso que dentro do universo do RPG se encontrou e está fazendo a diferença junto com seu grupo.  Nós do (N)Ativa queremos apresentar para vocês Na Cozinha do (N)Ativa com Dmitri Gadelha do Vila RPG.
Dmitri Gadelha
1. Queria que você contasse um pouco como tudo começou? Digo, seu gosto pelo RPG, o grupo que vocês jogavam e porque você escolheu se dedicar a ser mestre mais que jogador.

Olá, amigos do (N)Ativa! Bem, meu nome é Dmitri Gadelha e jogo RPG há 13 anos. Acho que meu gosto por mestrar mais do que jogar se deve à necessidade que eu sempre tive de usar o RPG como uma maneira de dar asas à minha imaginação, criando, contando histórias e conduzindo as sessões de jogo. Apesar de também gostar de “apenas” jogar, me sinto meio incompleto quando não estou mestrando. E, cá entre nós, isso está se tornando muito frequente nos últimos tempos… Enfim, deve ser minha “bênção-maldição”.

2. Como surgiu a história do grupo deixar de ser apenas amigos que jogavam e se transformou no que hoje, o Vila RPG? E porque vocês resolveram criar o blog?


Como praticamente todo RPGista da década de 90, eu acompanhei de perto a extinta Dragão Brasil, que dava um suporte fundamental para os jogadores na época. Quando a revista entrou em crise e chegou ao seu fim, eu e meu grupo sentimos uma grande perda. Apesar de não gostarmos de tudo que era feito pela equipe da Dragão, nós usamos muito material da revista – e digo muito MESMO! Depois disso, passamos a ler a blogosfera RPGista, que nos deu novamente suporte de jogo, com sua quantidade cada vez crescente de material para todos os sistemas/cenários, nacionais e importados. Algum tempo depois, eu e meus camaradas de grupo pensamos que também poderíamos contribuir com algo para o crescimento de nosso hobby. Montar o blog foi consequencia.

3. Você é professor de história, acha que o RPG tem pouco de influência nessa sua escolha profissional ou não tem nada haver?

Eu acredito que as duas coisas estão ligadas, tendo se influenciado mutuamente. Sempre fui incentivado à leitura de todo o tipo por meu pai e isso certamente me influenciou a jogar. Por outro lado, dentro do RPG eu desenvolvi a capacidade de mediar e conduzir um grupo, que são funções extremamente importantes para qualquer professor. Talvez se eu não tivesse mestrado por mais de 10 anos antes de começar a dar aula, eu não me sentisse tão seguro encarando e lidando com os alunos, afinal, é preciso ter jogo de cintura pra conseguir passar um conteúdo enquanto 40-50 crianças e adolescentes falam pelos cotovelos. Além disso, meu vocabulário, postura e tom de voz com certeza foram aprimorados ao longo da minha “carreira” como Mestre de RPG.
Dmitri com Leonel Caldela
Palestra do Dmitri no evento FORPG que aconteceu no CCBNB
4. Você pude observar, através dos comentários do blog e da página do Vila RPG, que tipo de sistema é mais apreciado aqui em Fortaleza? E na sua opinião, isso se deve a que?

Não há dúvida de que o RPG mais jogado aqui e em todo o Brasil é D&D, agora em sua 4ª edição, mas isso nem de longe inibe os grupos de jogarem o que mais lhe agrada, seja em casa ou em eventos. Não é difícil vermos gente jogando Tormenta RPG, Old Dragon, Dragon Age e os clássicos GURPS, Vampiro: A Máscara e Trevas. Já vi, inclusive, em eventos e grupos de amigos, mesas de Cyberpunk 2020, Warhammer e outros RPGs europeus mais obscuros, como Pendragon e Berlin XVIII, apesar disso ser raríssimo aqui em Fortaleza.
Creio que por todo o suporte, divulgação, lançamentos e atrativos que o D&D 4E tem, com certeza os jogadores são mais facilmente atraídos, principalemnte a garotada que é fã de RPGs eletrônicos. O jogo tem um apelo visual muito grande e isso acaba sendo o diferencial na hora em que alguém acostumado com os gráficos de World of Warcraft, por exemplo, vai jogar RPG de mesa. Isso não é uma crítica, mas a verdade é que muitos jogadores da “geração MMORPG” estão mais preocupados com o lado combativo do jogo que com o roleplay. E nisso, afirmo sem medo de errar, D&D acaba se sobressaindo, afinal, o foco do jogo é combate e aventura. Observem que eu não estou dizendo que em mesas de D&D a interprtação não existe, apenas que o próprio jogo não traz isso como foco.
CCBNB acontecendo o evento FORPG
5. Participei do evento FORPG e percebi que ele teve bastante visitantes, muitas pessoas interessadas tanto nas palestras como em jogar, trocar ideias e tudo mais. Você imaginava que seria tão bem aceito assim pelo público? Dá para explicar um pouquinho para quem não conhece o evento o que foi o FORPG e qual era seu objetivo?


O FORPG (Fortaleza do RPG) foi um evento que começamos a pensar no final de 2010, já visualizando nosso primeiro aniversário, em julho de 2011. Ao longo dos seis meses que trabalhamos na organização do evento, fizemos contatos, firmamos parcerias e realizamos pesquisas de opinião. Nós queríamos fazer um evento de RPG que mostrasse não apenas o lado lúdico do hobby, mas taqmbém seu lado cultural, por isso termos escolhido como temática do evento a Literatura Fantástica. E, acima de tudo, queríamos trazer “algo mais” para os jogadores. Algo que os fizesse deixar de jogar no conforto de sua casa e atravessar a cidade para jogar conosco. Esse atrativo foram as paletras, oficinas, sorteios, brindes e nossos escritores convidados – o cearense Pedro Salgueiro e o gaúcho Leonel Caldela. Nós sabíamos que muita gente iria comparecer (inclusive gente de Acaraú e Cariri), mas não imaginávamos que quase 400 pessoas lotariam o Centro Cultural BNB nos dois dias e evento (01 e 02 de julho). A repercussão aqui em Fortaleza e fora foi tão grande que depois do evento, que já estamos pensando na próxima edição. Mas esse sucesso só foi possível devido aos próprios RPGistas.

6. Agora olhando para trás, você acha vocês que conquistaram muitos de seus objetivos dentro do espaço do RPG aqui em Fortaleza?

Acredito que sim, mas isso só foi possível porque muita gente acreditou na nossa ideia. Nossos parceiros e jogadores são extremamente importantes para nós. Sem eles, nada do que fizemos teria sido possível. Acho ainda que esse espaço deve ser conquistado todo dia, não podemos nos acomodar achando que isso irá se manter sozinho. É necessário dar atenção a cada jogador que aparecer para jogar ou bater um papo, caso contrário, o grupo perde e, o pior de tudo, o RPG perde.


7. Vi no blog que você e o Sergio estão unido Educação e RPG, como isso é possível ao seu ver e você já tinha isso em mente desdo principio?
É isso mesmo. Como professores (eu de história e o Sérgio de literatura), nós estamos sempre estudando e discutindo como associar RPG e educação. Essa ideia surgiu ainda durante a minha graduação, quando comecei a ler material sobre o assunto na internet. A partir daí, comprei alguns livros que analisam essa questão e dão importantes orientações aos professores interessados. Ainda não tive chance de organizar um projeto e coloca-lo em pratica, mas uso elementos do RPG em minhas aulas constantemente.Nós estamos tentando unir as duas coisas de uma forma mais técnica, aplicando nossa experiência como mestre de RPG no processo de ensino/aprendizagem, usando o jogo como uma ferramenta pedagógica, mas isso nem sempre é possível dentro da nossa realidade educacional, onde as salas são em sua maioria superlotadas e indisciplinadas. Há poucas semanas, eu e o Sérgio ministramos um minicurso de 20 horas/aula para os educadores do SENAC aqui de Fortaleza, com o título “RPG e Educação – O uso dos jogos de interpretação como ferramenta lúdico-pedagógica”. De fato, esse é um tema ao qual estou estudando e planejando organizar um projeto de mestrado em um futuro bem próximo.
8. Antes de vocês criarem o grupo Vila RPG, para você o espaço de RPG aqui em Fortaleza era apenas voltado para jogos com amigos em casa ou já existia essa preocupação de haver um espaço para reunir diversas pessoas para jogar? Já existia algo assim ou vocês foram inovadores? E se existe, são muitos grupos ou poucos?

A preocupação de reunir grupos diferentes de jogadores já existe em Fortaleza há quase 15 anos. Muitos grupos de se reuniam em shoppings, praças, universidades, centros culturais e outros lugares. Nós não inventamos isso. No entanto, de uns tempos pra cá, notamos que essas iniciativas estavam cada vez mais raras. Muitos grupos estavam se fragmentando e os jogadores deixando de frequentar os espaços coletivos. Afinal, é muito mais cômodo jogar em casa com os amigos do que jogar fora com estranhos. Quebrar essa barreira infelizmente ainda é muito difícil. Eu acredito que o que nós fizemos foi agitar novamente esta cena, fazendo os jogadores se “desentocar” e voltar a frequentar esses espaços e eventos, tanto nossos quanto de outros grupos aqui em Fortaleza.

9. E o mercado? existe procura por livros? Materiais para se jogar? Revistas especializadas? Você sabe me dizer se há muita busca por essas coisas ou o mercado ainda está crescendo?

Eu não sou empresário nem administrador, mas afirmo com toda a certeza que o mercado de RPG está cada vez mais ativo e vibrante. Isso é perceptível para a comunidade RPGista. Nunca vimos tantos lançamentos, sejam mainstream ou indie, como atualmente. A cada dia novas editoras surgem no mercado, lançando material de qualidade produzido aqui mesmo no Brasil. E se engana quem pensa que são editoras de grande capital. Ao contrário, são iniciativas corajosas e sinceras de RPGistas que desejam trabalhar com seu hobby. E talvez isso seja o que dê mais credibilidade ainda a essas pequenas editoras. Se essa tendência irá se manter ou se essas editoras permanecerão no mercado, isso é uma outra história. Na minha opinião, nunca houve no Brasil um momento tão propício para se começar a trabalhar com o RPG.


10. Fala um pouquinho do Blog e do espaço, Vila RPG.
Quase todos os membros do grupo são amigos de longa data, companheiros na vida e na mesa de jogo. Como eu já disse antes, sempre tivemos vontade de fazer algo mais pelo nosso hobby do que simplesmente jogar. A partir desse anseio, montamos o blog e começamos a organizar pequenos encontros semanais na Livraria Feira do Livro, onde qualquer RPGista pode chegar e jogar, seja se encaixando em uma mesa já em andamento ou montando a sua própria.. De lá pra cá, o blog se tornou um dos 25 mais visitados do rank rpg.blogs, fechamos parcerias com editoras e instiuições culturais (SENAC, Centro Cultural BNB, Livraria Feira do Livro, Devir, Jambô, Redbox, Retropunk, etc.), realizamos um evento de dois dias que teve público de 400 pessoas e trouxemos o Leonel Caldela a Fortaleza. Isso tudo em menos de um ano de atividades, mas muita coisa legal ainda está a caminho.

11. Estou sabendo que haverá o 
5º RPG na Feira agora mês de outubro, você pode explicar como é o evento? Como ele funciona? O que vai acontecer lá?

O RPG na Feira foi um modelo de mini eventos mensais que realizamos no ano passado, mas, devido à organização do FORPG, acabamos abandonando. Agora, nós reformulamos nossa proposta e a trouxemos de volta. A ideia é selecionar a cada edição (agora bimestral) um sistema ou cenário para realizar mesas de jogo simultâneas, palestras, oficinas, criação de material e outras atividades. O 5º RPG na Feira vai ococrrer esse sábado (08/10) e terá como tema Tormenta RPG. Além de uma aventura que produzimos especialmente para o evento, teremos uma oficina de criação literária voltada para fantasia medieval e sorteios de vários livros de RPG e literatura referentes so sistema/cenário.


12. Você quer deixar um recado para a galera que acompanha o (N)Ativa.


Foi um prazer responder essas perguntas para o (N)Ativa. Espero que você que leu a entrevista e curte RPG, acesse nosso blog (www.viladorpg.com.br) ou apareça na Livraria Feira do Livro (Rua Benjamim Carneiro Girão 87-C, Montese, Fortaleza) para jogar RPG conosco. E lembrem-se, a imaginação é o limite!

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2 Respostas to “Na Cozinha do (N)Ativa”

  1. N(A)tiva 13/10/2011 às 14:28 #

    Obrigada, também gostamos muito de ter feito a entrevista e do resultado. Vamos continuar com as entrevistas…

  2. Neyla 13/10/2011 às 11:09 #

    Parabéns pela entrevista…ótima idéia entrevistar pessoas com esse perfil. Adorei!

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