Appertizers – Cultura

19 nov

Companhia de dança apresenta espetáculo que une a paixão pelo flamenco e a poesia de João Cabral de Melo Neto. A performance será, hoje, às 19 horas, no Cuca Che Guevara

De um lado, um flanar de saias coloridas, batidas ligeiras de palmas, um ressoar choroso de castanholas e sons de guitarras saudosas. Movimentos lânguidos e gestos precisos envoltos por um sensualismo vermelho. Dança da paixão, o Flamenco é a fúria e a poesia que brota do corpo em êxtase! De outro, a poesia crua e engajada do poeta João Cabral de Melo Neto. Metricamente perfeita e fecunda de realismo.

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Em cena a Palos Cia. Flamenca, a dança que brota do corpo em êxtase. No espetáculo Flamenco em Poesia, a inspiração veio dos poemas sevilhanos de João Cabral de Melo Neto

Apresentações

Nesses dois mundos tão singulares e vivos, a Palos Cia. Flamenca se aprofundou para criar o espetáculo “Flamenco em Poesia”, que se apresenta, hoje, no Cuca Che Guevara, às 19 horas, e, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (CCBNB), no dia 26 (sábado), às 16 horas e às 18 horas.

De acordo com a dançarina Keila Rodrigues, as apresentações apostam na junção das artes como forma de despertar o espectador para as mesclas poético-coreográficas que se expandem na força do sapateado das “bailadoras” e no lamento do “canto” flamenco.

“Sou formada em Letras e, ainda na faculdade, tive a chance de conhecer a poesia de João Cabral de Melo Neto. Seus poemas são visuais, secos e potentes, bem longe de melodramas. Mas, emociona muita a gente quando se torna visível”, diz.

Ao lado da dançarina Vivia de Castro, Keila dirige e atua no espetáculo “Flamenco em Poesia, cuja composição baile e poema é inspirada, especificamente, nos livros “Quaderna”, “Sevilha Andando” e “Poemas Sevilhanos”. Obras produzidas na época em que o poeta pernambucano morou em Sevilha, quando realizava suas funções diplomáticas.

Essência

“O nosso espetáculo traz um pouco desses poemas inspirados na cidade de Sevilha, suas belas mulheres, paisagens e outros personagens como os toureiros. João Cabral de Melo Neto era apaixonado pelo Flamenco, a única arte que ele, realmente, conseguiu sentir”, afirma.

Unindo dança flamenca com o lirismo “cabralino”, a apresentação conta com a presença de quatro dançarinos e cinco músicos. Trazendo ao público outra faceta do rigor formal e expressivo do poeta pernambucano.

Palavras e dança, dois elementos que se encontram em fusão movida por uma sensualidade sutil que transparece uma espécie de obsessão. Sentimento que, segundo a pesquisadora Marly de Oliveira, “é, sobretudo, uma ausência, que deve ser preenchida e, muito provavelmente, de natureza amorosa”.

Os poemas “sevilhanos” de João Cabral de Melo Neto têm a mulher e a cidade como corpos únicos. Uma é a outra. A mulher é viva como Sevilha, exala sentimentos picantes como a áurea cítrea da cidade espanhola, densa e múltipla como um dinâmico formigueiro.

“Uma mulher sei, que não é/ De Sevilha nem lá tem raízes, que sequer visitou Sevilha/ e que talvez nunca a visite, mas que e dentro e fora Sevilha/ toda a mulher que ela é, já disse, Sevilha de existência fêmea”, diz um trecho do poema “Sevilha andando”.

Essa essência ecoa da obra do pernambucano e deságua no espetáculo “Flamenco em Poesia”. Paixão, sensualismo e poesia à espera do público.

Fique por dentro
O Engenheiro e sua poesia

João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife, em 1920. É considerado um dos mais importantes poetas de sua geração e um dos nomes de peso da poesia brasileira. Formado em engenharia, ele também se dedicou a carreira diplomática, servindo em várias cidades do mundo: Barcelona, Sevilha, Londres, Porto Rico e Rio de Janeiro. O poeta desenvolveu uma poesia cerebral e não emotiva, recorrendo a uma construção elaborada da linguagem. Sua produção poética, que vai de uma tendência surrealista (no início) até a poesia popular, é caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes. O pernambucano têm como obras-primas, os poemas “O Cão sem Plumas” e “Morte e Vida Severina. Este último o mais conhecido, é um poema narrativo subintitulado auto de Natal pernambucano, que trata da caminhada de um retirante, chamado Severino, do sertão até a zona litorânea, em busca de condições melhores para sobreviver à seca. João Cabral de Melo Neto marcou uma época, trazendo um novo olhar para a poesia no país. Dentre as muitas homenagens que recebeu, ele foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, em 15 de agosto de 1968, e empossado em 6 de maio de 1969, recebido por Múcio Leão. Ocupou a cadeira 37, antes do jornalista Assis Chateaubriand.

MAIS INFORMAÇÕES

Espetáculo “Flamenco em Poesia”, apresentações hoje, às 19 horas, Cuca Che Guevara, e no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, no dia 26, às 16 e às 18 horas.

Entrada franca.

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