Na Cozinha do (N)Ativa

1 dez

Voltando nossa coluna de entrevista com um querido amigo Paulo Ítalo Medeiros, Artista de games, Designer conceitual e animador. Vamos conhecer hoje o mundo dos animadores de games e como os desenhistas podem chegar lá. Hoje o Paulo vive no sul, mas vai nos contar como ele trilhou seu caminho.

1. Vamos começar do começo. Como você começou a desenhar? Ainda criança? Foi treinando e aprendeu ou já tinha jeito algo e foi só se aprimorando?

E ai? Belezinha? Eu desenho desde que me entendo por gente. Papel de impressora matricial, trazidos pelo meu pai, e canetas hidro-cor foram meus brinquedos favoritos por muito tempo. Minha família falava que eu seria um desenhista… e eu acreditei! Mais tarde me sugeriram fazer concursos públicos por segurança, mas ai já era tarde. Eu já estava apaixonado por desenhos animados, brinquedos e jogos eletrônicos.
Mas fui começar a evoluir como desenhista só lá no meio pro fim dos anos 90, quando tive contato com o universo dos quadrinhos, começando por Homem-Aranha 2099. Daí voltei a desenhar com força total… é, eu havia parado, na primeira metade dos anos 90 eu basicamente só jogava videogames e assistia desenhos animados… comecei a desenhar uma HQ onde os personagens eram baseados nos meus amigos. Nessa época eu desenhei quase todos os dias, pois meus amigos cobravam o avanço da história deles. Passei alguns anos produzindo essa HQ de mais ou menos 160 páginas se não me engano. Vê-se uma diferença sensível do começo da HQ para o final. Ter começado a trabalhar com animação tradicional também me fez desenhar muitíssimo. Desenhar uma longa sequência de animação é uma experiência zen, você acaba tendo profundos pensamento sobre a vida, o universo e tudo mais… e sobre o desenho também.
Nesse tempo pude perceber que a capacidade de observação e análise fazem toda a diferença no desenho. Mesmo quando não estou desenhando estou sempre olhando desenhos de outros artistas, buscando referências de anatomia e observando a natureza. Ter um banco de referências na memória e um banco de imagens no HD é algo essencial para um desenhista.
Além de treinar por conta própria eu também frequentei um curso de desenho de anatomia ministrado por Al Rio, grande mestre, cursei, mas não terminei, Edificações, da antiga Escola Técnica Federal do Ceará, e Artes Plásticas, no CEFET-CE, mas o curso de animação do Núcleo de Animação do Ceará, que foi o que de fato me abriu as portas para os primeiros trabalhos na área. Também cheguei a cursar Letras-inglês na UECE, mas não terminei. Todos esses cursos me ajudaram a adquirir conhecimentos importantes e me deram algumas ideias do que era bom ou não para a minha vida profissional.
Procurar uma comunidade de pessoas que compartilham os mesmos interesses também me fez crescer muito. O Núcleo de Animação do Ceará e a Lunart foram dois lugares onde fiz grandes amigos que fizeram toda a diferença na minha evolução. Mais tarde conheci um grupo de talentosos artista do bairro da Messejana nos quais me inspirei para focar meus esforços e conseguir desenvolver um portfólio profissional.

Comicon Challenge

Game Artisan’s Comicon Challenge

2. Porque resolveu partir para modelagem 3d?

Sobre o 3d, eu decidi aprender ao ver a abertura do jogo SoulEdge, de PlayStation 1. Não sabia nem por onde começar. Foi então que um dia conheci um homem chamado Neil Armstrong Rezende, que não me levou à lua, mas sim à Lunart. Após ver minhas animações tradicionais ele me convidou para participar de um grupo de estudo em computação gráfica, que mais tarde se tornaria a empresa chamada Lunart, empresa essa que cometeria a façanha de produzir duas séries de desenho animado para um canal local de Fortaleza, além de outros feitos e até erros. Aprendi muitíssimo na Lunart e guardo no coração todos os companheiros que por lá passaram.
Sobre quadrinhos, eu já fiz alguns, mas só por brincadeira. É algo que me interessa, pois é uma mídia relativamente fácil de desenvolver e nela posso usar tanto minha habilidade de desenho e pintura quanto minha habilidade de criação de personagens e histórias. Tenho alguns projetos na manga relacionados a quadrinhos e pode ser que em 2012 eu produza um.

3.Quais foram seus primeiros trabalhos nessa área? conte pouquinho da sua trajetória.

Comecei em Fortaleza-CE trabalhando como freelancer em curta-metragens para festivais de animação, como por exemplo: Patativa, de Ítalo Maia, e Guerra dos Bárbaros, de Júlia Manta. Também participei de algumas aberturas animadas do Festival Cine Ceará. Em paralelo fiz vários trabalhos de publicidade pela Lunart e os dois seriados animados que comentei acima, são eles: As Aventuras do Bruguelo e Estradas da Vida.
Finalmente larguei a publicidade e comecei a trabalhar na área de games quando fui, em 2006, para a Southlogic Studios, uma empresa de Porto Alegre-RS que na época fazia outsourcing para outras empresas de games maiores do exterior. Foi uma experiência deveras enriquecedora e apesar de rápida foi marcante. Mais uma vez aprendi muitíssimo e fiz amigos para toda a vida.
Em 2007 fui parar em Florianópolis-SC, numa empresa chamada Hoplon Infotainment, a responsável pelo MMOG Taikodom. Tive a experiência de ter um jogo no qual trabalhei lançado pela primeira vez. Depois de um ano e sete meses na Hoplon mudei de emprego e cidade mais uma vez.
Agora era a Ubisoft-Brasil, em São Paulo-SP. Tive a oportunidade de participar da produção de três jogos para videogames portáteis: Imagine: Detective, para Nintendo DS, e Michael Jackson: The Experience, para Nintendo DS e Sony PSP. Foram dois anos bem intensos.

Dragão Brasil, a brazilian RPG Magazine.

4.Qual seu sonho quando começou a desenhar? Conseguiu realiza-lo?

Quando comecei a desenhar, eu era muito novo… acho que era ser um Thundercat ou algo assim. Mas quando fui crescendo e percebendo que eu teria de escolher uma profissão e só a possibilidade de desenhar e ser pago por isso já era um sonho por si mesma. Depois de ter mais contato com videogames resolvi que queria criar jogos e passei a desenhar fases de um jogo que mistura megaman e sonic… Bem, desde essa época meu sonho vem se transformando, sempre que vou me aproximando dele vejo que não era bem aquilo e que talvez seja algo um pouco diferente. Na verdade há uma parte do sonho que é idealizada, o “como eu queria que fosse”, daí quando vejo que não é bem assim, vou reformulando o sonho e inevitavelmente fazendo outras idealizações que deverão ser desmentidas ou, de preferência, realizadas. Acho que esse meu sonho profissional é um trabalho em progresso… eterno.

5. Sei que participou do evento Bojogá em fortaleza, o que acha desse tipo de evento? já participou no sul de algum evento assim?

Acho que eventos como o Bojogá são iniciativas fantásticas, fiquei muito feliz em saber que estava acontecendo um evento assim em Fortaleza e ainda mais por ser convidado a palestrar. Sei que existem muitas outras pessoas com sonhos e interesses parecidos com os meus e tenho interesse em contribuir para esclarecer e informar a essas pessoas sobre as experiências que eu tive nessa área, para que elas tenham alguma noção do que realmente se trata e possam traçar suas próprias trajetórias profissionais.
Já participei de alguns eventos aqui no sul e no sudeste, mas não como palestrante.

6. Porque decidiu ir para sul? existe muita procura de empresas estrangeiras por mão de obra brasileira? acha que brasil cresceu nesse sentido?

Em 2006 não havia muitas opções profissionais para mim em Fortaleza. Eu pretendia ir para São Paulo trabalhar com modelagem 3d para publicidade, mas eis que surgiu a oportunidade de me unir ao time da Southlogic Studios e trabalhar com arte para games. E foi sensacional.
Sobre empresas estrangeiras, acho que eles procuram a boa mão de obra onde quer que estejam, mas sem dúvida o profissional brasileiro é diferenciado. Já ouvi relatos de amigos que estão estudando e trabalhando no exterior de que geralmente os brasileiros se destaque pela garra e criatividade. A impressão que tenho é que os estrangeiros veem o trabalho nessa área como algo comum que está sempre ao seu alcance, nós encaramos como o sonho de uma vida.
Vê-se o crescimento do Brasil nessa área pelo número de escolas de arte para entretenimento que há hoje em dia. Até mesmo escolas e profissionais estrangeiros estão fazendo parcerias com escolas brasileiras para poder atender o público interessado.

RPG Illustrations_ Contra Arsenal.

7. Fale pouco de seus projetos atualmente.

Atualmente estou pesquisando para desenvolver projetos de aplicativos de entretenimento para tablets e smartphones. No ano que vem devo estar lançando algo.
De vez em quando estarei postando alguma arte desses projetos no meu blog: www.pauloitalo.blogspot.com

8. Qual tipo de conselho você daria para alguém que sabe desenhar e tem vontade de se profissionalizar?

Primeiro: Escolher a área de atuação.
Isso vai ajudar a focar os seus esforços de estudo e prática, além disso, vai definir o seu campo de pesquisa ao buscar referências.
Segundo: Treinamento ninja!
Estudar, praticar, pesquisar, praticar, estudar, pesquisar, sempre, sempre.
Terceiro: Contatos.
Participar de fóruns na internet, manter contato com outros estudantes, formar grupos de estudo e quem sabe até produzir um curta ou demo de game só pelo aprendizado.
Quarto: Learn English!
If you can read this you can find much more information and tutorials on the internet. Also you will be able to work as freelancer for big studios without the need of leaving your home.
Quinto: Coringa.
Esse quinto ponto é só pra lembrar que cada um tem o seu próprio caminho a seguir, então é bom estar preparado para surpresas. =)

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2 Respostas to “Na Cozinha do (N)Ativa”

  1. Fernanda Aragão 13/02/2012 às 17:33 #

    Adorei! Tbm vivo reformulando sonhos e planos!

  2. N(A)tiva 02/12/2011 às 14:28 #

    Gostei muito de fazer essa entrevista com Paulo, sempre achei ele um exemplo para seguir porque ele lutou pelo seu sonho e já chegou bem longe. Quando estou lutando pelo meu sonho, me espelho nele! 😉

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