Cultura de Bolso

18 dez

Rock e Performance

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De Ney Matogrosso a Ozzy Osbourne, passando pelos cearenses da banda Plastique Noir, são muitos os nomes da música mundial que recorrem (ou já recorreram) a recursos teatrais para divulgar sua arte.

A teatralidade é um elemento explorado ao longo da história do rock and roll, seja pela performance ousada de seus astros e estrelas, pela excentricidade de seus figurinos ou a criação de estilos – verdadeiros personagens em alguns casos. É nas profundezas desse universo misterioso (ou bizarro, no olhar de alguns), neste domingo mergulharemos, resgatando narrativas e revelando descobertas.

O que seria da história do rock and roll sem seus personagens excêntricos, performances insanas, figurinos provocativos, maquiagens pesadas, uso de artefatos nada singelos e, claro, muito sangue falso e fumaça de gelo seco? Certamente, o velho rock não seria o mesmo e muito provavelmente perderia um pouco de sua aura misteriosa e mítica, uma vez que não haveriam existido grandes artistas como David Bowie, Alice Cooper, Secos & Molhados, Os Mutantes, Kiss, The Doors, Marilyn Mason, Nine Inch Nails e tantos outros.

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A teatralidade é uma das características marcantes deste gênero musical. A apresentação em um show de rock não se resume apenas a execução de uma música; nela são misturados elementos de teatro, dança e retórica. Há todo um ritual simbólico envolvendo público e artista. Um jogo cênico que nos leva a imersão pela descarga de emoções e sentidos.

É como uma troca constante entre o ator da performance e os que dela participam, até o momento exato onde, finalmente, atinge-se o êxtase. Pelas palavras do escritor William Burroughs: “o ingrediente essencial para qualquer grupo de rock bem-sucedido é a energia – a capacidade de liberar energia, de receber e devolvê-la ao público. Um concerto de rock é, de fato, um rito que envolve a evocação e transmissão de energia”.

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“Atores”

A década de 1970 foi um terreno bastante fértil para o rock teatral ou performático. O pesquisador Paul Friedlander, autor de “Rock and Roll: uma história social”, explica que esta se tornou uma época rica de contradições cujos ecos repercutiram, sobretudo, na cena musical.

“Por um lado, houve a institucionalização da moda da contracultura, da aparência, da experiência com drogas e da linguagem. Por outro, havia esforços do governo (americano) e do show business para reverter a recente abertura e expressividade política e cultural da época”, destaca.

Em meio a este caos despontavam dezenas de bandas e cantores que, literalmente, usavam e abusavam, em sua sonoridade e atuação performática, de elementos como a psicodelia, glamour, punk rock e androginia como parte do visual de artistas, que carregavam na maquiagem e nas roupas espalhafatosas, feitas com muitas plumas e lamê, construindo um estilo teatral e provocativo.

Diário do Nordeste por ANA CECÍLIA SOARES

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