Cajon de Sastre

12 fev

I Ching

Faz um tempo que não falo de oráculos e ocultismo, vou voltar falando do I Ching e quem não conhece vou explicar sua origem e como ele funciona. O I Ching ou Livro das Mutações, é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo. É um dos mais antigos e um dos únicos textos chineses que chegaram até nossos dias.

Ching, significando clássico, foi o nome dado por Confúcio à sua edição dos antigos livros. Antes era chamado apenas I: o ideograma I é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como “mudança” ou “mutação”. O “I Ching” pode ser compreendido e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria. Na própria China, é alvo do estudo diferenciado realizado por religiosos, eruditos e praticantes da filosofia de vida taoísta.

Filosofia e cosmologia no I Ching

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de “I” sempre foi objeto de discussão.

Alguns vêem o ideograma I como semelhante ao desenho de um camaleão, representando o movimento (como o lagarto) e a mutação (como o mimetismo do camaleão). Outros afirmam que o ideograma é formado pelo do Sol em cima e o da Lua embaixo, a mutação sendo simbolizada pelo movimento incessante destes astros no céu.

Para o pensameno chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, “I” significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma ‘simplicidade’ que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio. Tanto o taoísmo como o confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I.

Tudo que ocorre no céu e na terra tem sua imagem nos oito trigramas, que estão continuamente se transformando um no outro. Têm várias camadas de significados, e representam processos da natureza. São, portanto, o mundo arquetípico, ou o mundo das idéias de Platão. É usada para ilustrá-los a analogia com a família:

  • o pai é forte
  • a mãe é maleável
  • os três filhos são as três fases do movimento: início, perigo e repouso
  • as três filhas são as três etapas da devoção: suave penetração, clareza e tranquilidade

Em Heráclito, e mais tarde na dialética européia, encontramos os ecos da fluidez que é a base do I Ching.

História

Há cerca de seis ou sete mil anos havia um mito universal de que todos os seres eram provenientes do útero de uma Mãe Cósmica; tal mito da criação universal teve lugar durante uma fase informe do mundo, aonde nada podia ainda ser identificado. Inicialmente cultuada naÍndia, como Kali, a Mãe Informe, recebeu depois o nome de Tiamat (Babilônia), Nu Kua(China), Temut (Egito), Têmis (Grécia pré-helênica) eTehom (Síria e Canaã) –este último foi o termo usado mais tarde pelos escritores bíblicos para Abismo. As mais antigas noções de criação se originavam da idéia básica do nascimento, que consistia na única origem possível das coisas e esta condição prévia do caos primordial foi extraída diretamente da teoria arcaica de que o útero cheio de sangue era capaz de criar magicamente a prole.

Acreditava-se que a partir do sangue divino do útero e através de um movimento, dança ou ritmo cardíaco, que agitasse este sangue, surgissem os “frutos”, a própria maternidade. Essa é uma das razões pelas quais as danças das mulheres primitivas eram repletas em movimentos pélvicos e abdominais. Muitas tradições referiram o princípio do coração materno que detém todo o poder da criação. Este coração materno, “uma energia capaz de coagular o caos espumoso”  organizou, separou e definou os elementos que compõem e produzem o cosmos; a esta energia organizadora os gregos deram o nome de Diakosmos, a Determinação da Deusa. Os egípcios, nos hieróglifos, chamaram este coração deab e os hebreus foram os primeiros a chamar de pai (ainda que masculinizassem, a idéia fundamental de família e continuidade da vida não era patriarcal).

O coração e o sangue definem um elo imanente a todos os seres que dele nasceram e uma idéia de coração oculto do universo que pulsa e mantém o ritmo de ciclos das estações, dos nascimentos, mortes, destinos. Este é o significado que está no Livro dos Mortos ou dasmutações. No mesmo sentido o livro chinês é denominado Livro das Mutações.

O nome chinês dado à Mãe Primordial e informe é Nu Kua, nome referido também entre os egípcios, gregos, mesopotâmicos e hindu. As referências a ela remontam há 2.500 a.C. e a imagem permanece venerada nas regiões setentrionais. Kuan Yin ou A Mulher é uma deusa dos casamentos e das mulheres em geral. O corpo original do I Ching chama-se (oito Trigramas) e os sessenta e quatro hexagramas são denominados por kua, derivado linguístico de Mãe Primordial ou Nu Kua.

O uso oracular do I Ching

A ênfase no aspecto oracular do “I” variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo.

Como todo oráculo, exige a aproximação correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta. O oráculo nunca falha, quem falha é o consulente: se a pergunta não foi clara e precisa, isto indica que a pessoa não tem clareza sobre o que deseja saber. O ritual tem a função psicológica de focar a atenção da pessoa na consulta.

A consulta oracular é feita com 50 varetas (originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para a obtenção da resposta. Dessa manipulação resulta uma linha firme ou uma linha maleável, que podem ser móveis. As linhas firmes são resultado da obtenção dos números 7 ou 9, e as maleáveis vêm dos números 6 ou 8. Destes, 6 e 9 correspondem a linhas móveis que, por estarem prestes a mudar, têm importância na interpretação.

O I Ching, por ser um livro sagrado, e as varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem, embrulhados em seda também virgem.

Durante a dinastia Han, que durou de 206 a.C. até 220 d.C., a consulta começou a ser feita de forma alternativa, mais simples, com o uso de três moedas. Este é o método mais utilizado hoje no Japão e nos países ocidentais.

O I Ching é uma espécie de oráculo, ao qual se pode recorrer sempre que necessário. Por ser uma interpretação muito complexa, que exige reflexão por parte do ‘jogador’, deve-se evitar perguntas que sejam respondidas com ‘sim’ e ‘não’. Serão necessárias três moedas que, ao serem jogadas, formarão os hexagramas utilizados para a leitura.

Os chineses utilizam de moedas chinesas, mas você pode utilizar qualquer uma.

 

Como “jogar” o I Ching

Antes de tudo, mentalize a pergunta. Segundo a tradição chinesa, as moedas devem ser colocadas nas mãos em formato de conchas e só depois chacoalhadas e arremessadas. Jogue as três moedas juntas, seis vezes seguidas. Cada arremesso vai formar uma das linhas do hexagrama. As primeiras três vezes formarão o trigrama inferior e as outras três o superior.

O lado Yin da moeda é representado pela coroa – a parte que tem o valor monetário – e recebe o valor 2. O lado Yang é representado pela cara – a parte que possui um brasão ou qualquer outra figura – e recebe o valor de 3. O valor da soma das moedas jogadas vai indicar a linha a ser formada. Todas as linhas com soma par são representadas de forma aberta (— —). As ímpares, fechadas (——-).

Quatro resultados possíveis:
– três caras = yang+yang+yang = cara+cara+cara = 3+3+3 = 9
– duas caras e uma coroa = yang+yang+yin = 3+3+2 = 8
– duas coroas e uma cara = yin+yin+yang = 2+2+3 = 7
– três coroas = yin+yin+yin = 2+2+2 = 6


Após a formação dos trigramas, é preciso cruzar as imagens na tabela de consulta do I Ching e encontrar o número do hexagrama correspondente. Podem ser formados dois hexagramas: o principal, que deve ter o julgamento lido profundamente, e o secundário, resultado da variação de linhas mutáveis. As linhas mutáveis são aquelas cuja soma são 6 ou 9. Consulte no livro como se faz para montar o hexagrama complementar através das linhas mutáveis.

Não é sempre que se pode formar um hexagrama complementar. Se ele não puder ser formado, significa que as respostas do hexagrama principal são suficientes para responder à pergunta.
Para a interpretação, deve-ser ler o julgamento, localizado no I Ching. Leia também os textos referentes às linhas móveis, caso haja alguma. A combinação dos textos representa a resposta do I Ching.

Veja você mesmo como funciona. Jogue e descubra sua sorte!

http://www.stum.com.br/testes/iching/iching.asp

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