Caixa Preta

25 fev

Esse sábado vou falar de assunto pesado mas que todas as pessoas passam e vivenciaram no final da vida. Vou falar da morte, da dor de perder um ente querido. Sei que é assunto triste para ser tratado em pleno sábado, mas a morte não avisa quando vai chegar. E mesmo não querendo pensar nela porque somos jovens sabemos que ela atingira todos nós mais cedo ou mais tarde. Temos que ter essa consciência. Afinal para morrer, basta tá vivo.

A primeira vez que tive contato com a morte, foi quando eu tinha 13 anos, meu avô paterno havia falecido e fomos ao velório dele. Achei aquilo tão esquisito para mim, meu avô num caixão deitado, as pessoas chorando ao redor. Nunca me esqueço da cena, meus pais meio que preocupados com minha reação. Mas eu não sentia vontade de chorar. Depois quando vi minha avó chorando, me deu uma pena, um aperto no peito. Foi ai que eu chorei e todos ficaram consternados de ver uma “criança” chorando (quando eu tinha 13 anos, eramos mais inocentes os adolescentes). Meus pais não deixaram eu ir ao enterro, disseram que cemitério não era lugar de criança (concordo).

Acho que aquela cena toda me chocou, porque tenho verdadeiro pavor a velório, não acho nada bacana ou interessante velar um corpo. Na verdade acho mórbido e não entendo esse ritual de ficar com corpo em cima da mesa, e as pessoas adorando e chorando, desculpa a sinceridade, certamente ofendi dezenas de pessoas, mas quero deixar claro que essa é minha opinião particular e desde sempre procuro ser verdadeira nessa coluna com meus leitores. Respeito mesmo o ritual cultura de todas as religiões, mas continuo a não entender. Não acho legal isso e não quero mesmo que façam isso comigo, não quero que meu corpo morto fique em um caixão para meus familiares e amigos chorem em cima dele. Quero que lembrem de mim viva, sorrindo.

Depois com 18 anos meu avô materno faleceu, fiquei muito triste e todos viajamos para o velório e enterro. Quando cheguei a mesma cena do corpo na sala, pessoas chorando e me desejando pêsames. Nem fiquei na sala. Mas dessa vez fui ao enterro, chorei bastante de tristeza e saudade. Mas a pior cena foi vê-lo ser enterrado. Doeu demais ver o caixão do meu avó descendo. Aquilo tudo me deu uma angustia, quando o caixão bateu no chão doeu muito em meu coração. Um aperto, misturado com falta de ar. Imaginar meu avô, um homem alegre, forte sendo enterrado como se fosse sei lá, resto. Odiei aquilo. Me deu uma raiva, misturado com tristeza. Criei aversão a enterros, decidi que quero ser cremada. Acho mais digno.

Anos depois quando minha avó paterna morreu só fui ao enterro a força e fiquei bem longe para não ver a mesma cena. E quando a materna morreu não fui, tinha vestibular no fim de semana do enterro, que nem sei porque fui fazer, afinal não consegui me concentrar na prova. Chorei muito na noite que meus pais viajaram para o enterro. Não consigo imaginar alguém ter cabeça para algo quando alguém que amamos morre. Morro de medo da morte, confesso. Tanto dela atingir entes queridos como a mim mesma. Tenho noção que preciso trabalhar isso, mas é difícil. Talvez tenha sido a forma como ela foi me apresentada, acho que meus pais erraram em não ter conversado comigo antes, quando criança a respeito. Acho que isso é uma coisa muito importante a se pensar. Como devemos apresentar a morte ao nossos filhos e mesmo que não queiramos falar disso enquanto eles pequenos, acho que é inevitável, afinal a morte pode chegar a qualquer momento.

É duro perder pessoas, mas quando elas morrem de velhice você até se conforma mais, espera por isso né?! Mas perde alguém cedo, jovem por acidente ou doença é muito pesado. Graças a Deus que não morreu nenhum amigo meu e espero que eles se cuidem bastante. Não quero nem imaginar que eles morram. Tenho uma tia que me criou e amo ela como mãe também, morro de medo dela morrer, também tenho pavor de perde minha mãe. Não sei como vai ser minha vida sem ela. Tenho um amigo que perdeu o pai e ficou mal demais, hoje em dia ele tá bem, porque temos que superar nossas perdas, (como diz no Rei Leão é circulo da vida, e por falar nesse filme, acho ele perfeito para apresentar as crianças a morte, ele é lindo e dar um lição da vida para qualquer idade). É complicado dar apoio ou sabe a palavra certa para se dizer a uma pessoa quando ela perde alguém. Aliais não acho que exista nada que possamos dizer porque nada do que dissermos vai mudar o que a pessoa está sentido e nem aliviar sua dor. No mais só a presença e a força que você pode dar já é um consolo. O pior é ter que mesmo com toda a dor, lidar com as questões praticas, como contratar funerário, igreja e comprar a furna para enterra-lo. Mas quem for cremado também precisa de alguns ajustes para isso. É bastante complicado lidar com tudo isso.

Perdi meu animal de estimação, que era como uma filha para mim, criei desde de filhotinha e amava ela demais. Era minha companheira, lembrei muito da dor do escritor do Marley, e entendo bem porque ele escreveu aquele livro, foi uma forma de expressar o amor pelo seu cachorro e a falta que ele faz na vida dele. Deixa um verdadeiro vazio em nossas vidas, porque eles são nossa alegria e mesmo quando eles fazem algo que nos aborrece, contamos aquilo com certo orgulho para os amigos. Pode passar o tempo que for, mas eles nunca são esquecidos. Pedi para ela ser enterrada em local propário, não podia imaginar ela enterra em qualquer lugar. Eu preferi ficar sozinha para superar minha dor, como eu disse antes, ninguém ia entender o que eu estava sentido, e as palavras só iam me fazer ficar mais triste. Mas foi bom, tem coisas que temos que superar sozinhos mesmo.

E por falar em filho, nem imagino como deve ser grande a dor de uma mãe quando perde seu filho. Crio que o vazio deve enorme. Nem sei como elas conseguem superar, acho que só Deus mesmo para dar força e ajudar a pessoa a superar tudo. As lembranças ao mesmo tempo que confortam, trazem mais dor. É complicado. Só sei que a morte é assunto sério tratado em todas as culturas de formas diferentes, mas o todas elas tem em comum sobre isso é que elas procuram confortar as pessoas e ajudar a alma a ter uma boa passagem. A preocupação de todas elas é com a pós vida, que as almas  evoluam e possam alcançar o “céu”.

O importante é que tenhamos consciência que a morte vai chegar para todos e independente de nossas crenças, temos ser fortes para superarmos essa dor da perda, porque quem acredita no espirito, sabe que nossa existência na terra é a penas um instante dentro da nossa imortalidade pós vida. Sei que nem todos compartilham da minha opinião, mas não escrevi esse texto para propagar minhas crenças, mas sim para compartilhar com vocês esse assunto que apesar de comum na vida de todos, acabamos refletindo pouco sobre ele. Um grande abraço e bom sábado.

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