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17 mar

Realidade de sonhar

 

Estávamos todos juntos, mas não sabíamos que não poderíamos viver separados. Acredito que o mais difícil na vida de é ter e manter amigos de verdade para caminharem ao seu lado, e depois disso saber discernir o que é amizade e o que é pessoal.

Montamos a banda quando moleques e depois terminamos, como é o óbvio!  Era um tempo onde as crianças brincavam de futebol e bola de gude na rua, namorava-se na sala de estar (e a hora de ir embora era o momento do amasso no portão), os amigos se encontravam nas calçadas e não na droga viciante de shoppings  e ainda se comprava discos pois não havia a maldição prazerosa dos downloads. Os idiotas sempre existiram, mas também sempre houve a resistência dos mais evoluídos.

Porém depois de anos aconteceu de nos encontrarmos adultos e desejarmos os sonhos de moleques, pelos mistérios das decisões do Destino. Começamos a cantar cover (músicas de outras bandas), tivemos umas apresentações nojentas, mas que contaram muito para engrossar as costas de quem quer levar pancada. Na primeira vez que tocamos (eu tocava bateria na banda nessa época) fomos chamados de hereges e tiramos o último lugar em um festival. Recordo dessa experiência com extrema libido.

Às nove horas das manhãs de domingo ensaiávamos, e certo dia entre uma música e outra perguntei ao vocalista da época, que é um irmão para mim: “Cara, você compôs alguma música ou já escreveu alguma coisa?” Ele disse: “Barão, nunca escrevi.” Daquele momento em diante decidi que alguém teria que fazer isso, pois eu sabia que a galera não estava escrevendo nada e os ensaios eram uma utopia. Eu não gostava de tocar músicas dos outros em uma banda, já tinha feito isso a vida toda e apesar de ser uma droga acaba se tornando necessário, daí comecei a procurar compor, pois uma banda deveria ser uma experiência única, como o amor da sua vida. Não há possibilidade, em minha opinião, de uma banda se tornar uma BANDA se os caras não têm as próprias músicas, da mesma forma que não se gera filhos sem as bênçãos do sexo.

Tempos depois o vocalista desistiu, por questões pessoais, e os caras me convidaram pra cantar (isso é uma longa outra história). Fui pegar umas aulas de canto e dar um trato na aparência. Não há como o cara querer ser cantor sem se preocupar com o som da própria voz e seu visual. É o poder ou o não-poder! Mudei! Mudei mesmo. Saí comprando roupas novas, fazendo experimentos nos cabelos, explorando o potencial da minha prega vocal e testando umas posições ridículas na hora que estava cantando. Expondo-se sem vergonha! Ficou uma verdadeira bosta: tanto músicas como visual, mas a coisa foi pegando jeito de algum jeito. Fizemos umas quatro ou cinco canções e fomos melhorando nas apresentações. Colocamos umas músicas na internet e tempos depois fomos contemplados com um contrato para gravar um disco em São Paulo. Fomos pra sampa eu, Cassiano Bastos, Filipe Dieb e Diego Gradivol. Depois quero contar detalhes dessa viajem. Milagres e maldições seguem os bons. A experiência desta viagem mudou minha forma de encarar a música e a banda.

O mais difícil é se manter por perto de quem acredita nas mesmas coisas que você, é raro. Eu saquei que a parada é essa mesmo. Quando voltamos de São Paulo eu me formei e fui trabalhar, os caras todos já trabalhavam e eram casados, apenas eu solteiro. O guitarra foi transferido para Recife, o teclado abriu um belíssimo restaurante e eu e o batera estávamos trabalhando direto. Não daria mais para tocarmos juntos. Tínhamos um disco gravado e queríamos mostrar nosso produto. Foi quando o Cassino teve a ideia bombástica de gravarmos um videoclipe que sairá em algumas semanas (o trailer desse vídeo está rodando na net).

Eu já disse que o mais difícil para a banda é que estejamos juntos. Mas estamos! Isso é o que mais importa. Nossas dificuldades como, encontrar um novo agente, pegar um novo contrato e ter remuneração com nosso produto musical se tornariam impossíveis se não estivéssemos juntos.

           

É verdade que tem um montão de merda musical sendo produzida e jogada em nosso rosto todos os dias, enquanto tem galera ralando na música boa como chefes de cozinha aprontando iguarias, porém com poucas oportunidades. Realmente eu não sei o que tá rolando com a música nesse momento da história. Posso até estar vivendo naquela fase que só aprecia o passado, mas tá difícil ser fã de verdade de alguma banda no século XXI. My bad! Tô ficando com os caras da década de 70 e 80 ainda. É o momento descartável e reciclável da história que nos foi confiado a vivermos musicalmente, e lutamos para não jogarmos fora a oportunidade de sonharmos juntos, o mesmo louco sonho.

Teaser do clipe da Banda

Clique no link!

https://www.facebook.com/photo.php?v=315000585223105&set=vb.254117931283789&type=2&theater

Átila Brasen

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