Caixa Preta

17 mar

Outro Ponto de Vista

Fui delegada a função de ser o Outro ponto de vista acerca do relacionamento. E que Outro ponto de vista seria esse?! Falar de casais homoafetivos… Até parece que eu tenho experiência no assunto… Pode-se dizer que tenho vivência, mas quero logo deixar claro que em quesito relacionamentos não há fórmulas exatas, A + B = ?,  que nos exponha esses encontros. Cada um constrói a sua trajetória e se esbalda com o amor e o companheir@ como queira; é quase uma questão de gosto. Mas, em minha opinião, careço dizer, que gosto, sim, se discute!  Há por aí muitos gostos que são carregados de pré-conceitos, que o melhor que temos a fazer é destrinchá-los.

Pois bem, vou começar falando de um caso, sempre específico:

A AMIGA.

Ela chegou assim, meio como quem não quer nada e cheia de curiosidades nos olhos. No primeiro momento quando soube que você curtia mulheres arregalou aqueles olhos, engoliu a saliva a seco e tentou, o máximo que pode, tornar toda aquela situação em algo tranquilo, ‘normal’, quase que dizendo pra si mesma:

será-que-eu-devo-me-preocupar-como-me-comporto-com-ela-a-partir-de-agora?

E é bem aqui que toca a primeira sinaleira:

Garotas-garotas, calma! Nós não somos vampiras a procura de seguidoras, alphas ou betas, para se unir a nossa cúpula. Somos mulheres, e como mulheres, nos respeitamos. Fiquem tranquilas, se eu por acaso tiver olhado para as suas pernas, o seu colo, o seu corpo, entendam também que pode ter sido apenas como quase todas as mulheres olham: meio que comparando ou meio que realmente admirando a beleza do outro e construindo inveja branca.

Agora, assim, a amiga depois que soube da aclamada DECLARAÇÃO:

Eu sou lésbica, bi, sem preconceitos, estou aqui.

Passou, consideravelmente, a ter atitudes de beijinhos e agarros com uma certa dose de curiosidade… O babado não é bico! É normal que a tomemos pela mão, convidamos a uma ingênua dose de vinho e, conversemos tranquilamente, quase como uma aranha olhando pacientemente a formiga, com asas ou sem asas num recipiente fechado… Se bobear, uma será a alimentação da outra. Claro que, a relação de duas mulheres se parece mais com um casal de pombinhos… Observem, no quesito de acasalamento.

Falo por mim, sei que há mulheres e mulheres, assim como há homens e homens. Há mulheres machistas (ou femistas, como preferem); assim, como há homens machistas. Esta construção é de valores e educação, não é uma questão de gênero. E pra deixar bem claro, não há um melhor que o outro. Precisamos aprender a respeitar as diferenças! Claro, que,  sou a favor da luta das mulheres, por direitos iguais, respeito a sua sexualidade, por serem donas do seu corpo, por não serem propriedade… Sou a favor de tudo isso. Assim, também, como sou a favor dos homens argumentarem as suas posturas, posições… Precisamos perceber que estamos na construção de novos homens, outra humanidade com pensamentos de amor e sexo como totalidade e respeito por sermos Seres Humanos. Nossos pontos de vistas acerca da sexualidade precisam ser alargados. Não podemos nos reduzir com a:

porra da buceta é minha, dou a quem quiser.

O buraco e o sangue são mais embaixo. O respeito a si mesma, também. Não precisamos sair quebrando tudo para nos assumirmos mulheres que gostam de mulheres…  É preciso só Ser, sermos.

E atenção, cada vez mais esse lance de eu sou hetero, eu sou bi, eu sou lésbica, eu sou pan, eu sou… Está caindo num território da definição, da limitação… Estamos acolhidos por uma época e por uma liquidez que nos é mais valoroso o verbo estar: Eu estou… Não fixemos nossas crenças, vamos tomar cuidado com o totalitarismo… Vamos nos constituirmos enquanto a nossa vontade. Alarguemos nossos amores e vamos destruir os preconceitos… O mundo precisa de entendimento mútuo. Tenhamos atitudes de amor para com o próximo,e, mais urgente, para com o próprio amor.

Por Maurileni Moreira.

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4 Respostas to “Caixa Preta”

  1. Vanessa Lua 18/03/2012 às 03:09 #

    Excelente! O fato de ser lésbica, não significa que a mulher está ai a solta como uma louca atrás de uma presa “inocente” pra dar uma, isso é o maior pré-conceito hje existente, é o ser mulher que apenas sente o sentimento por outra mulher, e acreditem, é com a mesma intesidade e vontade como se gostar de um homem, rs, é engraçado como isso não entra na cabeça das pessoas e tem que ser enfatizado né, e outra, uma lésbica nem sempre olha uma mulher com olhar de desejo, existe sim a admiração e a velha disputa que há no mundo feminino, ou seja,TEM COMO haver amizade entre mulheres sem haver um envolvimento, o envolvimento fluí naturalmente, é claro que só o que tem é menina curiosa, mas enfim faz parte, e qto à luta… ela vem ficando pra trás, os valores reais dessa “luta” estão ficando esquecidos, um grupo tão apontado e tão desunido, uma luta de siglas alfabéticas, apenas, o que tem que ser imposto é somente o respeito, somente, como diz no texto… “É preciso só Ser, sermos!”

  2. camilaunica 17/03/2012 às 17:25 #

    Muito bom e atual este texto! Deveria se falar mais no assunto! Liberdade é vital!

  3. Soares Júnior 17/03/2012 às 17:13 #

    Interessante o texto, Maurilene. Bj.

  4. Mauri 17/03/2012 às 17:04 #

    adorei!

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