Voxx Populi

8 maio

Olá N(A)tivos, hoje vou expor para nossa reflexão um texto de um amigo do Facebook Jason Stone, ele relata sobre a insegurança em nossa cidade, mas o que me levou a divulgar não foi esse fato obvio que convivemos todo dia mas pelo real valor da vida que ele deixa claro em seu texto, leiam se quiserem comentem

Raquel Dias ¬¬

A MINHA FÉ JAMAIS ME FURTARÃO.

Eram aproximadamente oito e quinze da noite quando descia do carro parado defronte a entrada de minha casa no bairro mais elegante da cidade, num domingo igual a qualquer outro, não fora o infortúnio do vento desesperado da violência que nos espreitava.

Dois homens, extremamente decididos a violentar, esmagar moralmente o que vissem pela frente, sem eira, nem beira, olhos ejetados por uma vontade estranha qualquer nos invadiram. Dois canos curtos prontos a fumegar nos abordaram num assalto como tantos que acontecem em Fortaleza todos os dias, nos envergonhando e acanhando uma sociedade já curvada e silente ante a banalidade, que é a barbárie urbana em que vivemos.

Um lampejo. Uma luz me salvou e salvou o que de mais importante possuo, meu filho e minha mulher, acuados, assustados com o que previam ser uma tragédia, que um encanto, aquela flama, evitou. Aquela chama de serenidade me fez baixar o tom de voz habituado aos mais duros debates, tudo ensaiado, programado em algum fio de minha cabeça, dentro dos padrões dos especialistas em segurança, narrei cada passo que iria dar, para não ser mal interpretado, e precipitar um desfecho que não queria nem pensar. Dizia lacônico que iria entregar todos os objetos que possuía, valores ridículos se comparados ao que tentava proteger.

Como sempre, o terror nevrálgico se pronuncia, um deles inferiu… “Vamos levar o carro e o menino”. Interpus-me pela primeira vez, me impus veemente, arriscando o que não poderia deixar de arriscar: “meu filho não levam”! decretei. Mais uma vez Aquela luz se sobrepôs a nós e numa emanação que claramente vinha do alto, o outro findou: “não se preocupe. Não vamos fazer nada com a criança”! Sosseguei e amistosamente, num frêmito, entreguei o que ainda restava. Foram-se anéis, cordões, pulseiras, relógios, telefones, dinheiro… Mas minha família ficou.

Ordenaram entrar no carro e o fiz. Garanto, não por covardia ou medo. Entrei no carro por coragem. A coragem de proteger o que interessa. Eles se foram nas sombras, como surgiram. Olhei para o banco de trás e vi, com uma inexplicável felicidade, que minha família ficou! Os olhos dos dois, lacrimosos, o pavor transpirando aos borbotões, trêmulos, fragilizados. E eu ali, feliz da vida, porque minha família ficou.

Não tenho raiva dos ladrões. Tenho tristeza por ver desfazer-se esse mundo que Deus criou. Desfazer-se em insanidade, em brutalidade, na delicadeza que se expirou. Desmanchar-se em maldade, deslealdade, vilipêndio, crueldade, torpor. Não me revolta o que perdi, tudo são peças que se pode repor. O mais importante, insubstituível e absoluto, ficou. O que me sacode a alma é a aridez humana, a vileza que campeia, enquanto tantos se refestelam.

Naquele momento, os amigos acudiram, percebi que nunca estive sozinho. Comoveu-me ver a benquerença de muitos e muitos mais. Foi reconfortante e me deu a certeza de que valeu a pena cultivá-los. Outra lição aprendida.

Por mais incrível que pareça, não guardei ódio. Vivifiquei dentro de mim a esperança e notadamente a gratidão. Agradeci mil vezes Aquela luz que nos iluminou a todos, aos que atentaram contra mim, aos que estavam comigo e a mim mesmo. Fomos todos, de alguma forma, abençoados e por isso dou graças ao meu Mestre, Aquela luz que fulgurou nesta noite de maio, quando florescem nos corações o amor de Maria, nos resgatou… Justamente Ela, junto ao Seu filho, que carregaram de mim em forma de medalhas e imagens, mas que jamais poderão roubar do meu espírito eterno e simples, do fundo do meu coração. A minha fé, esta, jamais me furtarão. (J.S)

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