Eu Vivo Mal Humorada

15 maio

O tudo, o nada e o porque?

Sabe, quando eu tinha 13 anos era uma garota normal como qualquer uma da minha idade, só que tinha uma coisa, de uma hora para outra resolvi me isolar, não é que deixei de ver minhas amigas, mas tecnicamente preferia ficar sozinha que conversar com elas e sempre inventava desculpa para não sair de casa, passei muito tempo comigo mesma, acho que se tivesse começado a escrever naquela época tinha sido bem produtivo, mas o caso não é esse, o caso é que nessa época aprende a curti a solidão, o silêncio. Coisas que sei que muita gente tenta evitar, tem medo.

Não me acho melhor que ninguém por isso, mas é interessante como a vida nos conduz ou como conduzimos ela. Pois bem, nunca soube o que queria realmente ser de fato, passei anos buscando por algo que me deixasse verdadeiramente apaixonada, sem perceber o tempo todo que eu já sabia, como disse, durante meus 13 anos foi a época que tive mais inspiração para escrever e depois de muitos anos buscando por algo que sempre esteve dentro de mim, enxerguei e entendi que podia ser o que sempre quis ser, escritora, as vezes tenho vergonha de falar isso, porque parece uma coisa inalcançável, mas talvez nós mesmo que tornamos nossos sonhos inalcançáveis.

As pessoas são talentosas em se sabotar, todos nós fazemos isso incontáveis vezes ao dia. E aproveitamos para sabotar o sonhos dos outros também, nos tornando seres mesquinhos, mal amados. Não julgo que a pessoa seja ruim, acho que alguém que passa a vida não acreditando em si mesmo e nos outros é alguém triste. Não me acho melhor que ninguém por acreditar que podemos realizar nossos objetivos, porque tenho noção que não é fácil, antes de tudo é trabalho duro se conquistar algo, requer dedicação e coragem.

Tem outra coisa que aconteceu comigo aos 13 anos, me tornei uma observadora, por sempre ser calada na escola, aprendi a observa as pessoas ao meu redor, suas expressões, quem era quem no papel social. O House tem razão quando diz que todo mundo mente, mas não é só isso, nos amamos, odiamos e somos egoístas em nossas decisões, na verdade ninguém tem noção de fato o quanto afeta alguém com suas atitudes e palavras, a gente simplesmente cativa alguém ou como diz minha professora de psicologia, se conecta emocionalmente e depois não enxerga ou não liga se o que falamos ou fazemos vai magoar, atrapalhar ou desestabilizar alguém.

Eu sei porque já fiz isso centenas de vezes, claro que somos livres, mas não de fato, totalmente. Estamos atrelados as outras pessoas, é engraçado. Mas mesmo alguém solteiro sem filhos têm enumeras pessoas que se magoam com suas ações. Que esperam algo de você e que estão lhe observando. Eu quando criança costumava me imaginar invisível ou achava que ninguém me notava, as vezes hoje em dia, não acho que estão esperando algo de mim, mas sempre esperamos sem esperar, inconscientemente sempre esperamos ou não esperamos ser magoados, decepcionados.

Creio que a insegurança é algo que nos afeta diariamente, e nem falo da insegurança que nos torna tímidos, estou falando de outra coisa. Ninguém sabe o que o outro pensa, nunca sabemos se somos verdadeiramente aceitos, se vamos conseguir o algo, se somos levados a sério, se temos amigos verdadeiros ou se vamos ser traídos, se podemos confiar em alguém. Quando somos bem pequenos não temos essa insegurança, confiamos, mas com tempo ela muda e por mais que nos sentimos seguros no fundo no fundo ninguém sabe o que tem por de trás de um sorriso.

Talvez seja por isso que existem muitos cínicos, só com sarcasmo e cinismo para conseguir enfrentar a vida, não que eu esteja justificando nada, apenas constatando um fato. A verdade é que querendo ou não, nos afastamos de quem amamos, porque nem tudo é como queremos. Não que sejamos forçados a tomar qualquer decisão ou atitude, mas há certas ocasiões que vamos precisar escolher entre nosso coração e o do outro. E têm sacrifícios que valem a pena e devem ser feitos, mas outros não.

No começo de minha adolescência, eu fiquei aterrorizada porque sentia que muita coisa ia mudar em minha vida, confesso que não tinha ideia do quanto, ainda bem porque o terror seria pior, mas o importante é que sobrevivi a toda essa mudança e continuo mudando, acho que nunca paramos de mudar para mim isso é bom. Pessoas fechadas não sentem o prazer da vida. Se formos analisar tudo, somos como formigas jogadas em um jardim, tentando aprender a sobreviver a toda essa hostilidade, muitos conseguem, mas outros não.

De fato a vida toda sempre será um enigma, onde muitos precisam de um mentor ou um exemplo para continuar seguindo sem se dispersar , outros vão ficaram filosofando para tentar entender o porque de tudo e não enlouquecer e há  quem já enxergou muito além seus propósitos e está apenas aguardado a hora certa ou outros que nem ligam e vive um dia de cada vez. Não sei qual desses modos de encarrar a vida é melhor, acho que a pessoa acaba encontrando o seu mais cedo ou mais tarde.

Vivo dizendo que a vida é irônica, tem um humor peculiar, muitas vezes consegue jogar nossas convicções na lata do lixo, nos virar de ponta a cabeça e nos colocar em uma situação complicada só para nos testar. Como não acredito em coincidências, isso me deixa mais intrigada ainda, tentar entender como determinadas coisas acontecem com a gente sem que busquemos esses acontecimentos, como algo vem parar dentro da tua casa. Como se tivesse que acontecer mesmo que você não quisesse. São os mistérios divinos?

Por muitas vezes tentei fugir de certas coisas, mas elas aconteceram mesmo assim. Hoje não fujo mais, não adianta. É isso que quero dizer, não fugimos de nosso destino, o que tem de ser, será. Temos que passar por determinadas coisas, podemos dizer que é nosso carma. E falo isso por conhecimento de causa. Posso dizer que a vida também é uma professora, exigente. Nós ensina muito bem se deixarmos. O que aprendi também é que temos que enfrentar certas coisa, gostemos ou não delas. Faz parte!

E o por que eu escrevi esse texto para no Blog em plena terça feira? Porque todos nós temos duvidas, fraquezas, lembranças e nem sempre sabemos para onde estamos indo, se nossas decisões vão nos levar para um caminho desejado. E esquecemos muitas vezes que somos feitos de carne e osso, que somos fugazes nessa imensidão do universo. E porque não tentar viver a vida da melhor forma possível sem tanto egoismo. E com mais boa vontade no coração, se respeitar o próximo assim como a você mesmo.

No fim demora um pouco sabermos se nossa decisão foi a mais correta possível até lá o que nos resta? Sei lá, acho que somos crianças brincando no playground da vida, tentando ser feliz e machucando uns aos outros de vez em quando, mesmo tentado evitar.

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