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26 jun

Luiz Gonzaga, centenário do Rei do Baião

Apesar de curti rock, nunca neguei que desde criança gosto do Luiz Gonzaga, ouvia suas músicas e adorava as histórias contidas nela. Ele é grande artista e não é atoa que ganhou o apelido de Rei do Baião. Ensinou seu oficio para Dominguinhos que é seu discípulo. Gravou várias músicas, desde da década de 50. São tantas músicas que gosto dele que fica difícil de enumera-las.

Gonzaga nasceu em 1912 e esse ano completa-se seu centenário. Cem anos de Luiz Gonzaga, o mestre como é conhecido no meio artístico. Tocou com vários artistas e deixou seu legado para os fãs que ficaram tristes com sua partida. Esse ano ele está sendo homenageado no São João de várias cidades do nordeste. Acho isso muito bonito e quis homenagea-lo aqui no Nativa, porque São João é mais gostoso com forró do Gonzagão.

As festas mais populares do Nordeste, em Campina Grande, na Paraíba, e em Caruaru,Pernambuco, têm o mesmo homenageado. O Rei do Baião recebe homenagens de todos os artistas que se apresentam no local.
Os casais não resistem. O remelexo e o arrasta pé tomam conta deste e dos outros quatro polos do São João de Caruaru. Ao todo, 1,2 milhão de pessoas são esperadas até o fim da festa, no dia 30 de junho. Um São João cheio de novidades.

A vila mostrada em vídeo reproduz um pouco do cotidiano do interior nordestino e ganhou este ano uma exposição muito diferente, montada em contêineres e batizada de Baixio dos Doidos. É o nome do povoado onde nasceu Luiz Gonzaga, no município de Exu. “Baixio dos Doidos” por sanfona.

Se Pernambuco tem o orgulho de ser o berço de Luiz Gonzaga, a Paraíba tem o de ser um dos estados mais homenageados durante os mais de 50 anos de carreira.

No centenário do Rei do Baião, os paraibanos retribuem o legado. Campina Grande, que neste mês atrai mais de dois milhões de pessoas para dançar forró, declarou amor a Gonzaga. E com as sanfonas no peito, os discípulos reverenciam o pernambucano, por todos os cantos.

“Esse ano a gente ampliou o repertório. A gente aumentou 10, 20 músicas, porque é o centenário dele e porque o povo pede muito”, conta o sanfoneiro.

São 42 mil metros quadrados com palcos, ilhas de forró, camarotes e restaurantes com comidas regionais. Ao todo, 500 atrações em mais de mil horas de música.

História

Luiz Gonzaga nasceu numa fazendinha no sopé da Serra de Araripe, na zona rural do sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em “Pé de Serra”, uma de suas primeiras composições. Sua mãe chamava-se Ana Batista de Jesus (ou simplesmente Santana). Seu pai, Januário José dos Santos, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sudeste do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi obaião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearenseHumberto Teixeira.

Antes dos dezoito anos Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região. Foi rejeitado pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, que não o queria para genro e ameaçou-o de morte. Mesmo assim Luiz e Nazarena namoraram algum tempo escondidos e planejavam ser felizes juntos. Januário e Santana lhe deram uma surra ao descobrirem que ele se envolveu com a moça. Revoltado por não poder casar-se com a moça, e por não querer morrer nas mãos do pai dela, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato (Ceará). A partir dali, durante nove anos ele ficou sem dar notícias à família e viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Não teve mais nenhuma namorada, passando a ter algumas amantes ao longo da vida.

Em Juiz de Fora, Minas Gerais (MG), conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical.

Em 1939, deu baixa do Exército na Cidade do Rio de Janeiro: Estava decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar nas áreas de prostituição da cidade. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendochoros, sambas, foxtrotes e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe , um tema de sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. Vira e mexe foi a primeira música que gravou em disco.

Veio depois a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Foi lá que tomou contato com o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava os trajes típicos da sua região. Foi do contato com este artista que surgiu a ideia de Luiz Gonzaga apresentar-se vestido de vaqueiro – figurino que o consagrou como artista.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: A mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes dos Santos deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga mantinha um caso há meses com a moça – iniciado quando ela já estava grávida – Luiz, sabendo que sua amante ia ser mãe solteira, assumiu a paternidade da criança, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, foi expulsa de casa por ter engravidado do namorado, que não assumiu a criança. Ela foi parar nas ruas, sofrendo muito, até que foi ajudada e descobriu-se seu talento para cantar e dançar, e ela passou a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz. A relação de Odaléia, conhecida por Léia, e Luiz, era bastate agitada, cheia de brigas e discussões, e ao mesmo tempo muita atração física e paixão. Após o nascimento do menino, as brigas pioraram, já que havia muitos ciúmes entre os dois. Eles resolveram se separar com menos de 2 anos de convivência. Léia ficou criando o filho, e Luiz,às vezes, ia visitá-los .

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu (Pernambuco), e teve um emocionante reencontros com seus pais, Januário e Santana, que há anos não sabiam nada sobre o filho e sofreram muito esse tempo todo. O reencontro com seu pai é narrado em sua composição Respeita Januário, em parceria com Humberto Teixeira.

Em 1948, casou-se com sua noiva, a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular, por quem Luiz se apaixonou. O casal viveu junto até o fim da vida de Luiz. Eles não tiveram filhos biológicos, por Helena não poder engravidar, mas adotaram uma menina, a quem batizaram de Rosa.

Nesse mesmo ano Léia morreu de tuberculose, para desespero de Luiz. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com 2 anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena, e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou, juntamente com sua mãe, Marieta, que achava aquilo um absurdo, já que nem filho verdadeiro de Luiz era. Luiz não viu saída: Entregou o filho para os padrinhhos da criança, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, criá-lo, no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava a criança e o menino era sustentado com a assistência financeira do artista. Luizinho foi criado como muito amor. Xavier o considerava filho de verdade, e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina um amor verdadeiro de mãe.

Luiz não se dava bem com o filho, apelidado de Gonzaguinha. Ele passou a não ver mais o filho na infância do menino e sempre que o via brigava com ele, apesar de amá-lo, achava que ele não teria um bom futuro, imaginando que ele se tornaria um malandro ao crescer, já que o menino era envolvido com amizades ruins no morro, além de viver com malandros tocando viola pelos becos da favela. Dina tentava unir pai e filho, mas Helena não gostava da proximidade deles, e passou a espalhar para todos que Luiz era estéril e não era o pai de Luizinho, mas Luiz sempre desmentia, já que ele não queria que ninguém soubesse que o menino era seu filho somente no civil. Ele amava o menino de fato, independente de ser filho de sangue ou não.

Na adolescência, o jovem se tornou rebelde, não aceitava ir morar com o pai, já que amava os padrinhos e odiava ser órfão de mãe, e dizia sempre que Luiz não era seu pai biológico, o que entristecia-o. Helena detestava o menino e viva implicando com ele, e humilhando-o e por isso Gonzaguinha também não gostava da madrasta Helena, o que afastou e causou mais brigas entre pai e filho, já que Luiz dava razão à esposa. Não vendo medidas, internou o jovem em um colégio interno para desepsero de Dina e Xavier. Gonzaguinha contraiu tuberculose aos 14 anos e quase morreu. Aos 16, Luiz pegou-o para criar e o levou a força para a Ilha do Governador, onde morava, mas por ser muito autoritário e a esposa destratar o garoto, o que gerava brigas entre Luiz e Helena, Gonzaga mandou o filho Gonzaguinha de volta ao internato.

Ao crescer, a relação ficou mais tumultuada, pois o filho se tornou um malandro, tornando-se viciado em bebidas alcoólicas. Ao passar o tempo, tudo foi melhorando quando Gonzaguinha resolveu se tratar e concluiu a universidade, e se tornou músico como o pai. Pai e filho ficaram mais unidos quando em 1980 viajaram o Brasil juntos, quando o filho compôs algumas músicas para o pai. Eles se tornaram muito amigos, e conseguiram em fim viver em paz.

Luiz Gonzaga sofria de osteoporose há alguns anos. Morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado emJuazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha “persona non grata” em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.

Luiz Gonzaga era Maçon e é o compositor, juntamente com Orlando Silveira, da música “Acácia Amarela”. Luiz Gonzaga foi iniciado na Loja Paranapuan, Ilha do Governador, em 03/04/1971.

Em 2012, Luiz Gonzaga foi tema do carnaval da GRES Unidos da Tijuca, com o enredo “O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”, fazendo com que a escola ganhasse o carnaval deste respectivo ano.

Videos:

Discografia

  • 1956 – Aboios e Vaquejadas
  • 1957 – O Reino do Baião
  • 1958 – Xamego
  • 1961 – Luiz “LUA” Gonzaga
  • 1962 – Ô Véio Macho
  • 1962 – São João na Roça
  • 1963 – Pisa no Pilão (Festa do Milho)
  • 1964 – A Triste Partida
  • 1964 – Sanfona do Povo
  • 1965 – Quadrilhas e Marchinhas Juninas
  • 1967 – O Sanfoneiro do Povo de Deus
  • 1967 – Óia Eu Aqui de Novo
  • 1968 – Canaã
  • 1968 – São João do Araripe
  • 1970 – Sertão 70
  • 1971 – O Canto Jovem de Luiz Gonzaga
  • 1971 – São João Quente
  • 1972 – Aquilo Bom!
  • 1972 – Volta pra Curtir (Ao Vivo)
  • 1973 – A Nova Jerusalém
  • 1973 – Sangue de Nordestino

  • 1973 – Luiz Gonzaga
  • 1974 – Daquele Jeito…
  • 1974 – O Fole Roncou
  • 1976 – Capim Novo
  • 1977 – Chá Cutuba
  • 1978 – Dengo Maior
  • 1979 – Eu e Meu Pai
  • 1979 – Quadrilhas e Marchinhas Juninas, vol. 2 – Vire Que Tem Forró
  • 1980 – O Homem da Terra
  • 1981 – A Festa
  • 1981 – A Vida do Viajante – Gonzagão e Gonzaguinha
  • 1982 – Eterno Cantador
  • 1983 – 70 Anos de Sanfona e Simpatia
  • 1984 – Danado de Bom
  • 1984 – Luiz Gonzaga & Fagner
  • 1985 – Sanfoneiro Macho
  • 1986 – Forró de Cabo a Rabo
  • 1987 – De Fiá Pavi
  • 1988 – Aí Tem
  • 1988 – Gonzagão & Fagner 2 – ABC do Sertão
  • 1989 – Vou Te Matar de Cheiro
  • 1989 – Aquarela Nordestina
  • 1989 – Forrobodó Cigano
  • 1989 – Luiz Gonzaga e sua Sanfona, vol. 2

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