Na Cozinha do Nativa

10 jul

Adivinha quem vamos entrevistar esse mês na Cozinha do Nativa?

Olha que presentasso ganhamos neste um ano de Nativa, o cartunista Guabiras que trabalha no Jornal O Povo, respondeu nossa entrevista aqui no blog, estamos muito felizes com essa nova aquisição no roll dos nossos convidados. Tanto eu quanto a Raquel Dias somos fãs dele e curtimos bastante seu trabalho.

Aproveitando vamos divulgar o lançamento de sua revista neste domingo dia 15/07 no Passeio Público no Centro da cidade, a parti de 9 horas, ele já vai está lá no local, convidamos os leitores para participarem do evento. Quero agradecer ao William Germano que viabilizou a entrevista e ao próprio Guabiras que respondeu gentilmente.

1.Desde quando você começou a desenhar? Sempre teve esse objetivo de trabalhar com desenho, com tirinhas?
Desenho desde os 5, 6 anos de idade. meu pai ia pra lotérica e eu ficava esperando naquelas bancadas enquanto ele fazia seus jogos.
Daí começava a riscar os papeis de loteria. Depois os cadernos da escola… Primeiro influenciado pelos desenhos da Hanna Barbera.
Zé Colmeia, Esquadrilha Abutre, Space Ghost, Formiga Atômica, depois pelos desenhos que passavam na Xuxa, que já era uma geração mais contínua. ou seja, os desenhos viam em série. Você tinha que acompanhar eles, dia após dia, pois cada um tinha um objetivo.
O do He-Man era derrotar Esqueleto. O da galera da Caverna do Dragão era ir pra casa….
Fora que haviam muitas referências. Muita coisa instigava. Eu copiava praticamente tudo!
2.Conte um pouco como você foi desenvolvendo seu trabalho?
Não tinha como não começar copiando alguém. Mas com a prática você apruma o seu rumo e consegue definir seus traço. Comigo não foi diferente. Depois dos desenhos da TV. Comecei a colecionar quadrinhos. Mõnica, Walt Disney e depois MAD, essa já com 15, 16 anos. Agora minha maior identificação só apareceu mesmo quando conheci o Angeli. Ou seja, foi com a revista Chiclete com Banana que descobri o que realmente queria. Comecei a fazer fanzines e a vender na escola.
3.Foi difícil se tornar cartunista de um jornal conceituado?
Olha. não foi porque estudei muito a fisionomia do jornal. Pegava o caderno de cultura e via que ali não existia tirinhas de autores cearenses, ninguém no ceará fazia tirinhas! Eles compravam de agências. Garfield, Recruta Zero… então, levei minhas tirinhas e apresentei ao Jornal O POVO, isso em 1996, 1997. Como na época eu já fazia fanzines, levei alguns e quando a equipe de Arte viu meus fanzines foi meio que um espanto…
A partir daí fiz um estágio e o jornal passou a publicar meus quadrinhos que tinham um grande diferencial. Eram nordestinos. E todo mundo se identificava mais fácil.
4.Em que locais trabalhou antes do jornal O Povo?
Com desenho trabalhei fazendo cartazes, pintando isopor de aniversário, desenhando letreiros de açougue,, supermercado… Acho que todo desenhista conceituado já passou por isso. Mas na vida, fui de tudo. Jardineiro, bati cópias, fui office boy. Passava o dia numa fila de banco riscando aqueles envelopes de depósito. Engraçado como tudo tinha haver com desenho… também desenhava com a mangueira do jardim. kkk
5.Sempre quis ser cartunista ou já desejou ser desenhista de quadrinhos?

Meu objetivo sempre foi ser os dois. Você como cartunista não tem só ideias de cartum, você também tem de tiras, algo um pouco maior, e de quadrinhos, que é muito maior ainda. Então rabisco de tudo. Por incrível que pareça,a maioria das minhas ideias tive dentro do ônibus. 80%. Adoro ônibus. Você fica quieto no seu canto e então, não tem como não desopilar, esfriar a cabeça. e daí as ideias vão clareando….
Sempre fui de publicar o que me der na telha, a minha opinião, seja ela ácida, pesada ou besta. Mas desde que tenha sempre algum fundamento.
Na minha filosofia de desenhista, TUDO que faço tem que ter dois retornos:
Ou a pessoa diz “caramba, me identifico com isso” (quando é trabalho biográfico)
ou então “caramba, é a mais pura verdade” (quando o trabalho é sobre as mazelas e os defeitos do mundo).


6. Quais dos seus trabalhos que você mais gosta?
Dificilmente gosto de alguma coisa que faço. Sempre foi assim. É do meu ego mesmo.
Agora tirando as tirinhas dos meus filhos, que tem um valor sentimental profundo,
tem dois trabalhos que simplesmente curto e acho fenomenal além dos demais, que é uma tirinhas
onde uma menina totalmente fútil me diz:
1)”Acho as batatinhas do Mc Donald’s tudo de bom”. Eu respondo “Não vejo a hora.
2)Aí ela fala “O culto ao Orkut me deixou obcecada por espelhos. Eu respondo “Não vejo a hora.
3)Por último, ela fala “A Lady Gaga tem me dado um novo rumo na vida. E eu completo: Não vejo a hora dela tirar
essa mão e mostrar a calcinha.
A outra é uma história de 13 páginas que demorei quase um ano pra fazer. Se passa na véspera do Natal,
sou visitado por uma meia-amiga e acabo arrastado pra casa dela pra comer pernil. Tá, pernil.. Ah, ah, ah…
Mas tem muita coisa bacana nessa história, inclusive muito diálogo sisudo, várias piadinhas e um final surpreendente.

7. Você acha que mercado de trabalho para quem quer trabalhar com quadrinhos ou como cartunista está crescendo no Ceará?
Olha, posso dizer que está bem melhor do que quando tentei começar. Mas não basta só saber desenhar. Desenhar o Hulk, o Homem Aranha, os X-Mens, ter um bom traço, se você não tem onde publicar, não tem uma história concreta, bacana, bem sacada e muito menos uma editora pra bancar tudo.Porém hoje a coisa é mais ampla,existe a Internet, que é só jogar lá e divulgar. Na realidade, o mercado cresceu mais em termos publicitários. Desenhos mais abertos, pra propaganda e revistas. Muitas agências de Fortaleza valorizam a ilustração em vários trabalhos. Elas pagam decentemente, mas também você tem que aparecer e elas tem que saber que você existe.
O Jornal é a mesma coisa. Só que como tem apenas dois na cidade, as vagas estão sempre limitadas.
8. Que conselho você daria para quem quer começar neste ramo?
É a grande lógica do desenhista. Não existe um bom desenhista se ele não for atrás de praticar e de ter muitas referências.
Não adianta dizer “Olha, Guabiras, eu tenho um traço massa”, se o cara não tem uma ideiazinha sequer pra tirinha ou cartum.
E também é a questão do espaço. Saber usar a folha perfeitamente. Saber que cores estão usando atualmente, que tipos de letras, os diálogos. tudo… Eu mesmo não me considero profissional, pois a cada dia encontro mais e mais coisas pra me surpreender, incluindo novos cartunistas, novas formas de fazer quadrinhos… Mas cada dia é um aprendizado. E o mais importante acima de tudo é a humildade. Se você tiver ela em seu rumo, os elogios e a recompensa chegam mais rápidos.

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