Cajon de Sastre – Cinema

10 nov

Essa semana vi filme lindíssimo Tão Forte  e Tão Perto. Que conta a história de garoto especial e inteligente que através de sua amizade com o pai aprende a superar suas dificuldades mesmo depois da morte do mesmo no atentado de 11 de Setembro.

Quando vi o trailer do filme fiquei impressionada com a história e fiquei interessada em assistir, mas depois que vi constatei que é excelente filme. A atuação dos atores é de primeira e me emocionei durante o filme. Analisando como alguém que não leu o livro, gostei bastante e acho que o ator mirim Thomas Horn merece Oscar, mas para quem leu o livro acha que o filme deixou de lado muitos elementos o que acabou empobrecendo. Vou colocar aqui uma critica que li no Omelete para que vocês possam analisar, mas creio que é melhor ver o filme e quem puder ler o livro e tirar suas próprias conclusões.

Sinopse:

Oskar Schell (Thomas Horn) é um garoto muito apegado ao pai, Thomas (Tom Hanks), que inventou que Nova York tinha um distrito hoje desaparecido para fazer com que o filho tivesse iniciativa e aprendesse a falar com todo tipo de pessoa. Thomas estava no World Trade Center no fatídico 11 de setembro de 2001, tendo falecido devido aos ataques terroristas. A perda foi um baque para Oskar e sua mãe, Linda (Sandra Bullock). Um ano depois, Oskar teme perder a lembrança do pai. Um dia, ao vasculhar o guarda-roupas dele, quebra acidentalmente um pequeno vaso azul. Dentre há um envelope onde aparece escrito Black e, dentro dele, uma misteriosa chave. Convencido que ela é um enigma deixado pelo pai para que pudesse desvendar, Oskar inicia uma expedição pela cidade de Nova York, em busca de todos os habitantes que tenham o sobrenome Black.

Elenco:

Nacionalidade

Tão Forte e Tão Perto | Crítica

Adaptação falha ao tirar da obra de Jonathan Safran Foer suas maiores qualidades

Érico Borgo

Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close, 2011), adaptação às telas do romance Extremamente Alto & Incrivelmente Perto de Jonathan Safran Foer, parecia uma ideia ruim desde o começo.
O livro, afinal, tem como diferencial não a história em si, mas a maneira como ele emprega recursos que são possíveis apenas através de um meio gráfico, de insightsde diagramação, para narrá-la. São fotos, gráficos, anotações, códigos numéricos, páginas em branco e outros recursos visuais que enriquecem a narrativa e a fortalecem. Como esperado, no cinema, ainda mais nas mãos de Stephen Daldry, cineasta competente, mas que não é dado a inovações, essas ideias acabam desperdiçadas em cenas que registram de maneira simplista o livro de recortes e os sistemas criados pelo garoto. Não há uma busca por maneiras de adequar a linguagem cinematográfica ao pensamento do menino.
Na história, Oskar Shell (Thomas Horn), um garoto excepcional, mas genial, precisa lidar com a perda do pai (Tom Hanks), uma das vítimas do 11 de setembro. Ao encontrar uma chave em um envelope no closet do pai, ele se lança em uma busca através dos cinco distritos de Nova York pela fechadura que a descoberta abre – que potencialmente contém a última mensagem do falecido.
A busca é problemática ao forçar uma lateralidade à trama, já que o filme inteiro é dedicado a ela. Oskar vai de casa em casa, sempre agregando histórias paralelas que pouco fazem para levar a trama principal adiante e direcionar o filme ao seu desfecho. Além disso, acompanhamos o menino como observadores – no livro somos quase que co-protagonistas, estamos dentro de sua mente – e, sem recursos que tornem a busca mais interessante, a narração em off logo começa a irritar, assim como o garoto.
Outra ausência notável na adaptação é ainda mais problemática e fundamental no esvaziamento das qualidades do romance nas telas. O livro estabelece todo um paralelo entre o bombardeio de Dresden na Segunda Guerra Mundial com o atentado às Torres Gêmeas. A opção de Safran Foer é clara em mostrar como a dor da perda e a indignação pela covardia alheia é uma questão de ponto de vista. Em fevereiro de 1945, as forças aliadas, incluindo a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, despejaram milhares de toneladas de bombas na cidade alemã, obliterando alvos civis e militares. Especula-se que 25 mil pessoas tenham perdido a vida aí, um “efeito colateral” muito maior que o dos ataques a Nova York – que renderam aproximadamente 3 mil mortos. Ao compará-los, o autor inicia uma reflexão sobre ação, reação, proporcionalidade, responsabilidade e o que representam as pessoas inocentes apanhadas no fogo cruzado.
O filme, em busca de emoções mais fáceis – de fazer-nos nos sentir bem por nos sentirmos mal com a tragédia made in USA -, ignora tudo isso, com o apelo fácil do garotinho sem pai, da mãe (Sandra Bullock) desesperada para reconectar-se com o menino e a necessidade dele em dar sentido à sua perda (tema que é martelado insistentemente ao final, garantindo seu entendimento).
Se ignorarmos o que o filme poderia ter sido, porém, nem tudo é negativo. O passeio por Nova York é inspirador, as atuações são ótimas (especialmente no elenco de apoio formado por Jeffrey WrightViola Davis Max von Sydow) e a direção, ainda que pouco criativa, tem qualidade. O problema é mesmo a necessidade de entregar ao público o que se acredita que ele deseja, um drama que não se compromete e que, no desespero de indicações ao Oscar, tira do livro tudo o que o tornou uma leitura memorável.

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